O coma alcoólico é uma forma grave de intoxicação provocada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas em um curto período de tempo. A condição ocorre quando a quantidade de álcool ingerida ultrapassa a capacidade do fígado de metabolizar a substância, levando ao aumento da concentração de etanol no sangue e à intoxicação do cérebro e de outros órgãos. Como consequência, surgem sintomas que vão desde sonolência intensa até a perda total da consciência, colocando a vida da pessoa em risco.
O quadro costuma se instalar quando a concentração de álcool no sangue ultrapassa 3 gramas por litro, o que corresponde a níveis acima de 0,3% a 0,4%. Nessa situação, há diminuição importante do nível de consciência, confusão mental e, nos casos mais graves, comprometimento da respiração e dos batimentos cardíacos. A redução dessas funções vitais pode evoluir rapidamente e resultar em morte ou em graves sequelas neurológicas.
Sintomas exigem atenção imediata
Entre os principais sinais de coma alcoólico estão sonolência excessiva, desmaio ou perda de consciência, dificuldade para articular palavras, incapacidade de concentração, perda de sensibilidade e reflexos, além de dificuldade para andar ou se manter de pé. Convulsões, respiração irregular e lenta e hipotermia, caracterizada por pele pálida ou azulada, também podem ocorrer.
Um dos sinais de maior gravidade é o sono profundo em que a pessoa não responde a chamados ou estímulos físicos. Diante de qualquer suspeita, especialmente se houver dificuldade respiratória, é fundamental acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) ou uma ambulância. A rapidez no socorro é decisiva para evitar agravamento do quadro.
Até a chegada do atendimento médico, a orientação é manter a pessoa deitada de lado, na chamada posição lateral de segurança, para prevenir sufocamento em caso de vômito. Também é recomendado mantê-la aquecida, sem exposição a correntes de ar frio, para evitar hipotermia. Não se deve oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos se a pessoa estiver inconsciente, nem provocar vômito ou dar banho frio com a tentativa de acordá-la. Em caso de parada respiratória ou cardíaca, deve-se iniciar manobras de reanimação cardiorrespiratória.
Diagnóstico e exames hospitalares
O diagnóstico do coma alcoólico é realizado no hospital por um clínico geral, com base na avaliação dos sintomas e em exames laboratoriais que medem a quantidade de álcool no sangue. Para verificar possíveis complicações, o médico pode solicitar exames de sangue, como painel eletrolítico para avaliar os níveis de eletrólitos e testes de função hepática para analisar o estado do fígado.
Outros exames complementares podem incluir eletrocardiograma, para investigar arritmias e outras alterações cardíacas, e tomografia computadorizada, com o objetivo de descartar condições que apresentem sintomas semelhantes, como infecções cerebrais ou distúrbios metabólicos.
Tratamento envolve hidratação e monitorização contínua
O tratamento é feito em ambiente hospitalar e envolve hidratação com soro intravenoso, administração de glicose para tratar possíveis episódios de hipoglicemia, reposição de vitamina B1 e correção de alterações nos níveis de eletrólitos. Dependendo dos sintomas apresentados, podem ser indicados medicamentos antieméticos ou anticonvulsivantes.
Durante todo o atendimento, a pessoa permanece sob monitorização contínua dos sinais vitais, já que há risco de piora súbita do quadro, incluindo parada respiratória ou cardíaca.
Possíveis sequelas e riscos a longo prazo
O coma alcoólico pode deixar consequências graves, especialmente em pessoas que fazem uso abusivo de bebidas alcoólicas. Entre as possíveis sequelas estão hepatite alcoólica, insuficiência hepática aguda ou crônica, dano cerebral irreversível ou acidente vascular cerebral (AVC), arritmias, insuficiência cardíaca e pneumonia por aspiração de vômito. Nos casos mais graves, a morte pode ocorrer em decorrência da queda dos níveis de glicose e da temperatura corporal, além de alterações severas nos batimentos cardíacos e na respiração.
O álcool pode afetar diversos órgãos e sistemas do corpo, provocando complicações tanto agudas quanto crônicas. Embora menos frequente, o coma alcoólico também pode ser desencadeado pela ingestão de produtos que contêm etanol, como enxaguantes bucais, perfumes e alguns xaropes para tosse.
Eliminação do álcool e prevenção
A permanência do álcool no sangue varia conforme a quantidade consumida. Em média, o organismo elimina entre 0,1 e 0,15 grama por 100 mililitros de sangue por hora. Esse processo depende principalmente da capacidade metabólica do fígado.
Para prevenir o coma alcoólico e suas possíveis complicações, a principal recomendação é o consumo moderado de bebidas alcoólicas. Estar acompanhado por alguém de confiança pode ajudar a identificar sinais de abuso. Comer antes de beber pode retardar a absorção do álcool pelo estômago, mas não impede a ocorrência do coma. A medida mais eficaz para evitar o quadro continua sendo a moderação no consumo.
O consumo de álcool no Brasil
O consumo de álcool é culturalmente forte no Brasil e aumenta durante o Carnaval, quando muitos exageram devido ao calor e ao clima festivo, o que pode levar à intoxicação e a comportamentos de risco. O abuso provoca desidratação, perda de coordenação, agressividade e problemas de saúde mental, como ansiedade e depressão. Dados do Vigitel 2023 mostram crescimento no consumo abusivo entre 2021 e 2023, especialmente entre mulheres, associado a mudanças sociais. A Organização Pan-Americana da Saúde alerta que o uso nocivo do álcool causa milhões de mortes anuais, está ligado a mais de 200 doenças, afeta principalmente jovens adultos e gera impactos sociais e econômicos significativos.