Os dias de carnaval são marcados por animação e momentos inesquecíveis. No entanto, a intensa programação de blocos e festas exige atenção à saúde para evitar problemas comuns nesse período. Especialistas alertam para cuidados com o coração, alimentação, hidratação, pele, audição e prevenção de infecções.
Maratona de blocos exige atenção ao coração
A rotina de quem acompanha vários blocos pode começar pela manhã e se estender até a noite. Segundo cardiologistas, essa verdadeira “maratona” pode equivaler a uma corrida de até 10 quilômetros.
Estudo publicado no International Journal of Cardiovascular Sciences aponta que, durante o carnaval, são mais frequentes casos de arritmias cardíacas e infartos, associados ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas, cigarros, drogas e energéticos.
A recomendação é reconhecer os limites do próprio corpo, moderar ou evitar o álcool, dizer não às drogas, manter uma alimentação adequada e reforçar a hidratação.
Alimentação leve e hidratação são fundamentais
A combinação de samba, calor, suor e consumo de álcool favorece a desidratação, podendo causar queda de pressão e desmaios. Por isso, ingerir bastante água é essencial. A água de coco também é indicada para repor sais minerais.
Nutricionistas orientam manter refeições principais reforçadas e equilibradas, com vegetais, frutas, cereais integrais e proteínas, que ajudam a fornecer energia e a reduzir a absorção de álcool pelo organismo. Lanches leves entre um bloco e outro também são recomendados.
Alimentos práticos como castanhas, barras de cereais e maçãs são opções fáceis de transportar. Especialistas alertam ainda para a atenção às condições de higiene ao consumir alimentos na rua, a fim de evitar intoxicações alimentares.
Alongamento e roupas confortáveis previnem lesões
Quatro ou mais dias de festa exigem bastante das articulações e músculos. Alongar e aquecer o corpo antes de sair para os blocos ajuda a prevenir dores e lesões.
O uso de sapatos confortáveis é fundamental para proteger os pés de ferimentos e reduzir o impacto nos joelhos. Roupas leves, preferencialmente de algodão, são indicadas, enquanto tecidos sintéticos devem ser evitados por reterem mais calor. Permanecer com roupas molhadas por muito tempo pode provocar micoses.
Proteção solar e cuidados com a pele
Dermatologistas reforçam a importância do uso de protetor solar nos blocos diurnos. Também alertam para a qualidade da maquiagem, brilhos e glitters utilizados, já que produtos de origem duvidosa podem causar alergias e dermatites de contato.
Fantasias que incluam chapéus são alternativas que combinam proteção e diversão.
Exposição ao som alto pode causar danos
O volume elevado das caixas de som é outra preocupação. No dia a dia, os ouvidos toleram cerca de 85 decibéis por até oito horas. No carnaval, porém, o som pode atingir 120 decibéis, reduzindo a tolerância para apenas 15 minutos.
Para preservar a audição e a voz, especialistas recomendam manter distância mínima de 10 metros das caixas de som, fazer pausas de 10 minutos, utilizar protetores auriculares de silicone nas crianças e evitar gritar ou cantar por longos períodos. Beber água em temperatura ambiente, evitar o cigarro e consumir álcool com moderação também ajudam a proteger as cordas vocais.
Prevenção de infecções sexualmente transmissíveis
O uso de preservativo é indispensável durante o carnaval. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 1 milhão de pessoas adquirem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) por dia no mundo, o que representa aproximadamente 700 novos casos por minuto.
O preservativo é a principal forma de proteção contra HIV, HPV, clamídia, gonorreia, tricomoníase, sífilis e também contra gravidez não planejada. A recomendação é utilizá-lo em todas as relações sexuais, vaginais, anais ou orais.
Recomendações extras para aproveitar com segurança
Entre as orientações gerais para curtir o carnaval com saúde estão: beber com moderação, não dirigir após consumir álcool, evitar o uso de drogas, não permanecer em jejum prolongado, dormir de seis a oito horas por noite e respeitar os próprios limites.
Especialistas também reforçam a importância do consentimento nas relações: “não é não”. Caso haja relação sexual, a orientação é clara, usar preservativo.