Durante a cerimônia de assinatura do convênio para o restauro do Castelinho entre o Executivo e o Ministério Público do RS, realizada na quarta-feira, 22, no Salão Nobre em Erechim, teve quatro pronunciamentos. Na coluna de ontem, 23, foi divulgado as assinaturas do convênio e do contrato para a execução da obra. E hoje, um resumo, com as falas do Promotor de Justiça, Fabrício Alegretti; o secretário de Cultura, Esporte e Economia Criativa, Wallace Soares; o prefeito de Erechim, Paulo Polis; e do procurador-geral de Justiça do RS, Alexandre Sikinowski Saltz, que disse: “preservar é transmitir às futuras gerações a história de quem veio antes”
O Ministério Público do RS, repassou ao município de Erechim, quase R$6,6 milhões para o restauro do prédio histórico, provenientes do Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).
“Restaurar o Castelinho é muito mais do que recuperar um prédio”
O promotor de Justiça, Fabrício Alegretti, ressaltou o significado histórico, cultural e social da recuperação do prédio, considerado um dos principais símbolos do município. Em seu pronunciamento, relembrou o início das tratativas para viabilizar os recursos destinados à obra: “é muito mais que o cumprimento de um compromisso institucional, e sim, um avanço concreto na preservação do patrimônio histórico local”.
Destacou o papel fundamental da administração municipal e enfatizou que a iniciativa simboliza um momento histórico para o Ministério Público, ao sublinhar sua atuação não apenas na fiscalização, mas também na articulação de soluções em conjunto com outras esferas de poder e a sociedade.
Ao abordar o valor simbólico do Castelinho, o promotor relembrou memórias afetivas da comunidade, destacando o espaço como cenário de experiências marcantes para diferentes gerações. Para ele, a restauração permitirá que o local volte a ser um ponto de convivência e de construção de novas histórias para os moradores de Erechim. “Restaurar o Castelinho é muito mais do que recuperar um prédio. É resgatar a memória, valorizar o presente e garantir que as futuras gerações compreendam a história e a identidade da nossa comunidade”, concluiu.
Memória afetiva: a troca do bico pela bicicleta
O secretário municipal de Cultura, Esporte e Economia Criativa, Wallace Soares, salientou o caráter coletivo da iniciativa e a importância histórica do prédio para a identidade local.
Fez questão de agradecer a atuação de parceiros institucionais, em especial ao promotor de Justiça Fabrício Alegretti, apontado como um dos articuladores na busca por recursos e soluções para viabilizar o restauro do Castelinho.
Ao relembrar o início da gestão, contou que o Castelinho foi definido como uma das prioridades da pasta. “Colocamos a imagem do Castelinho na sala como símbolo do nosso principal objetivo”.
Resgatou a relevância histórica do prédio: “É um símbolo da nossa origem e das histórias que construíram a cidade. Muitas pessoas têm lembranças marcantes do Castelinho, seja como ponto de chegada dos imigrantes ou como espaço de convivência e cultura”, destacou.
Certo dia, ao perguntar à mãe qual lembrança guardava do Castelinho, a resposta veio carregada de ternura. Foi ali que ele “trocou o bico pela bicicleta”. Na época, o espaço abrigava a Casa do Papai Noel.
---------
“Talvez seja um pequeno passo para o MP, mas é um grande passo para a cidade”
O prefeito Paulo Polis ressaltou a importância histórica do momento e a capacidade de superação do município diante de desafios recentes: “Talvez seja um pequeno passo para o Ministério Público, mas é um grande passo para a cidade”, afirmou, agradecendo aos promotores presentes e fazendo menção especial ao promotor Fabrício Alegretti, destacado por seu empenho na viabilização dos recursos.
Ao falar sobre o Castelinho, Polis destacou o valor histórico do prédio, inaugurado em 1916, portanto mais antigo que o próprio município, que tem 108 anos. Para ele, preservar o patrimônio é essencial para manter viva a identidade local. “É preciso respeitar a nossa história, e esse é um ponto importante para Erechim”.
Encerrando seu discurso, o prefeito reforçou que o restauro do Castelinho representa mais do que uma obra física: “Sabemos que os recursos públicos exigem escolhas, mas quando surgiu essa oportunidade, trabalhamos para viabilizá-la. Este investimento representa não apenas a recuperação de um prédio, mas o resgate da memória de muitas famílias. Agora, é acompanhar a obra e garantir sua execução com transparência”
“Encerramos o dia participando de um ato que preserva a memória e a história”
O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Alexandre Sikinowski Saltz, enalteceu o papel do Ministério Público na preservação do patrimônio cultural e na construção de soluções que beneficiem a sociedade.
Em seu pronunciamento, destacou o simbolismo do momento, classificando o ato como uma demonstração concreta do sentido do trabalho institucional. “Encerramos o dia participando de um ato que preserva a memória e a história”, afirmou.
Trouxe um relato pessoal ao lembrar sua origem familiar. Neto de imigrantes, ele enfatizou o significado de espaços como o Castelinho para aqueles que chegaram à região em busca de novas oportunidades.
Ao abordar a importância do patrimônio cultural, Saltz destacou que a preservação desses espaços é essencial para manter viva a memória coletiva. “Preservar é transmitir às futuras gerações a história de quem veio antes”, pontuou.
A atuação do Ministério Público além da esfera judicial também foi pauta de seu pronunciamento, na buscam soluções práticas para demandas sociais. Como exemplo, citou o próprio projeto de restauro, viabilizado com recursos oriundos de fundos destinados à reparação de danos, que são revertidos em benefícios diretos à comunidade.
Ao final, o procurador-geral agradeceu o envolvimento de todos os parceiros na concretização do convênio e manifestou expectativa de retorno futuro para celebrar a conclusão da obra.