Ao longo de sua trajetória, Erechim consolidou-se como cidade de trabalho, empreendedorismo e crescimento regional. Mas sua história também foi construída pela sensibilidade da arte, pela criatividade de seus talentos e pela dedicação de pessoas que enxergaram na cultura uma ferramenta de transformação. Entre esses nomes está Luiz Fiori, lembrado na memória local como arquiteto e artista plástico que ajudou a fortalecer a expressão cultural do município.
Ligado ao cenário artístico local, Luiz Fiori teve participação em um período marcante para a produção cultural erechinense. Sua formação como arquiteto carregava naturalmente o olhar técnico sobre formas, espaços e estética. Já nas artes plásticas, encontrava liberdade para transformar ideias, sentimentos e visões de mundo em obras que dialogavam com a cidade e seu tempo.
Seu nome se conecta ao MAPE (Movimento dos Artistas Plásticos de Erechim), iniciativa que reuniu artistas locais em torno de um objetivo comum: valorizar a arte produzida em Erechim, criar oportunidades de exposição e aproximar a comunidade do universo cultural.
Nos anos 90 e 2000 o cenário era muito diferente do atual. Sem redes sociais, plataformas digitais ou circulação instantânea de imagens, artistas do interior dependiam fortemente de movimentos organizados, galerias físicas e ações coletivas para mostrar seus trabalhos. Nesse contexto, o MAPE teve papel estratégico ao abrir espaços e estimular a visibilidade de talentos locais.
O movimento representava uma ideia de pertencimento cultural. Ao reunir diferentes criadores, o MAPE ajudava a mostrar que Erechim possuía identidade própria também nas artes visuais, com produção capaz de dialogar com tendências maiores sem perder suas raízes regionais.
Exposições, encontros e ações culturais promovidas pelo movimento contribuíram para formar público, despertar novos interesses e incentivar jovens talentos. A presença de nomes como Luiz Fiori reforçava a seriedade e o compromisso de um grupo que entendia a arte como parte essencial do desenvolvimento humano e urbano.
A atuação de Fiori também simbolizava a ponte entre arquitetura e arte. Enquanto uma organiza espaços para a vida coletiva, a outra amplia a percepção sobre esses espaços. Essa combinação tornava sua presença relevante em um momento em que Erechim crescia economicamente e buscava também consolidar sua identidade cultural.
Os anos 90 foram marcados por mudanças importantes no Brasil e nas cidades do interior. Erechim acompanhava transformações econômicas, expansão urbana e novos desafios sociais. Em meio a esse cenário, o trabalho dos artistas lembrava que progresso não se mede apenas por números, mas também pela capacidade de uma comunidade valorizar sua memória, sua criatividade e sua sensibilidade.
O legado de movimentos como o MAPE permanece mesmo quando o tempo avança. Muitas vezes, o impacto cultural não está apenas nas obras produzidas, mas no estímulo que deixa para novas gerações. Cada exposição organizada, cada debate promovido e cada artista incentivado amplia o repertório coletivo de uma cidade.
Resgatar a trajetória de Luiz Fiori através do Grupo Bom Dia de Comunicação, é reconhecer um capítulo importante da cultura erechinense. É valorizar aqueles que ajudaram a construir uma cidade mais plural, humana e consciente da importância da arte em sua formação.
Em tempos de novos projetos e celebrações históricas, lembrar nomes e movimentos culturais também é olhar para o futuro. Toda cidade que deseja crescer de forma equilibrada precisa preservar não apenas prédios e ruas, mas também os criadores que lhe deram alma. Luiz Fiori e o MAPE ajudaram a desenhar, em cores, traços e ideias, uma Erechim que continua viva na memória cultural do município.
Luiz Fiori faleceu no dia 06 de agosto de 2021 em Florianópolis aos 68 anos. Formado pela Universidade Santa Úrsula do Rio de Janeiro foi o fundador do IAB Instituto de Arquitetos do Brasil - Núcleo José Albano Volkmer de Erechim
Foi conselheiro estadual do CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) e fundador e presidente do MAPE (Movimento dos Artistas Plásticos de Erechim. Cursou Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre e Parque Lage no Rio de Janeiro. Arquiteto painelista, fez várias obras com pinturas no Viaduto Rubem Berta.