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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (32)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Montanhas, para os chineses, são refúgios de minorias e de espíritos. Uma montanha é “um espaço sem pessoas, mas cheio de vazios”. Um olhar para o relevo da China revela o importante papel que as montanhas desempenham no país. Quase todas essas montanhas possuem mais de 500 m de altitude. Essa topografia acidentada teve uma profunda influência no estilo de vida dos chineses. Fazendeiros e camponeses estabeleceram-se nos vales, onde o solo rico é apropriado ao plantio de arroz e outros cereais. As terras altas foram ocupadas por minorias étnicas, onde criam cavalos de pequeno porte, ovelhas, cultivam a cevada e também o ginseng, ao qual muitos atribuem o segredo da longevidade. Mas acreditam que as montanhas são lugares mágicos, habitados por ninfas, espíritos e gênios.

Vale dos imperadores: local onde estão enterrados 13 imperadores da Dinastia Ming. Esta surgiu em 1368 e durou até o ano de 1644, na China. Este local foi escolhido por estar em um vale, entre montanhas, e assim ficar protegido das intempéries e dos espíritos maus. Os mausoléus dos imperadores ficam entre duas grandes montanhas, no caminho para a visita da Grande Muralha – mais ou menos a 42 km de Pequim. São considerados Patrimônio Mundial da Humanidade.

Via sagrada ou caminho espiritual: dos dezesseis imperadores da Dinastia Ming, treze estão enterrados no Vale dos Imperadores. O primeiro imperador Ming – Yongb – construiu o seu mausoléu no local, iniciando, assim, a história do lugar. Este imperador foi o mesmo que iniciou a construção da Cidade Proibida, em Pequim. Uma longa avenida conduz ao local das tumbas. A direção da mesma está voltada para a Estrela Polar – destino da vida terrena para a próxima, na eternidade. A bela avenida é ladeada por frondosas árvores e estátuas gigantescas de pedra, com animais reais ou mitológicos. Os animais reais são representados por felinos: tigres e leões. Intercalando os animais, estão estátuas humanas que representam a época. Mas muitas não sobreviveram. No final, há a representação de uma grande tartaruga – símbolo universal da longevidade. Muito prazeroso andar por esse caminho com tantas representações.

Entre altas montanhas: as tumbas desses imperadores, de séculos e séculos, nunca foram exploradas. Os arqueólogos temem que, ao abrir a tumba, o ar destrua o que está guardado há tanto tempo. Há citações, em chinês, dos nomes desses que foram imperadores. Eles continuarão na sombra das montanhas, guardados no silêncio do vale e longe da civilização. Continuarão na paz eterna até que novas tecnologias permitam a correta exploração. Apesar da ênfase atual do materialismo, os deuses e espíritos das montanhas continuam a povoar a memória coletiva na China.

A cozinha clássica de Pequim: nem imaginar sair de Pequim sem provar o famoso pato à Pequim – o clássico da sua culinária. Numa noite, o jantar foi em um dos restaurantes mais tradicionais da cidade. O lugar era muito aconchegante, em meio a jardins e pequenos lagos. O ritual secular começa nas fazendas especiais nas cercanias da cidade, onde os patos de Pequim, de penas brancas, são engordados à base de grãos e feijão de soja. Essas aves representam muito para a economia local.

Preparo do Pato à Pequim: assim que as aves chegam à cozinha, são depenadas e lavadas com água fervente. Depois, recebem um banho com anis e gengibre para, em seguida, receberem uma laqueadura com mel e vinagre temperado. São levadas para a geladeira por mais ou menos um dia. Depois, são estufadas com ar, penduradas em ganchos e assadas lentamente em fogo aberto. A pele fica muito crocante e é retirada quando servido. Este processo pode ser acompanhado pelos clientes através de uma parede de vidro.

Como é servido: os restaurantes dispõem de mesas redondas com tampo giratório. No centro, travessas com legumes finamente cortados. Individualmente, é servido o pato. A maneira mais tradicional é a apresentação em uma fina panqueca folhada: no centro, tiras de legumes com o molho do laqueado e lascas delicadas de carne. As panquecas são dobradas em quatro e manipuladas com os pauzinhos chineses. Tudo é repetido várias vezes e, no final, o molho é substituído por geleia de ameixas ou amoras. Uma delícia! É um verdadeiro ritual à mesa, quase uma cerimônia!

A cozinha chinesa: um prato muito comum é o camarão com legumes ao molho agridoce. Este não é muito ao sabor do brasileiro, mas é muito bom ser conhecido. O yakisoba é o prato mais tradicional depois do pato à Pequim: são pequenas porções de massa de arroz – os “noodles” – com legumes cortados finamente ou à Juliana, cubos de carne e cozidos ao molho de soja. No rigoroso inverno chinês, é a vez das sopas. A mais tradicional é o caldo feito com ossos de pato e verduras, principalmente o repolho.

O pato à Pequim pode ser servido também assim, mas sempre de forma cerimonial: primeiro comem-se pedacinhos da pele crocante; depois, fatias de carne embrulhadas com cebolinha em uma panqueca de farinha de trigo e mergulhadas em molho agridoce. Termina-se com uma sopa feita com ossos de pato.

Conclusão: uma refeição chinesa não é feita para se comer sozinho: os inúmeros pratos chineses, pequenos, mas tentadores, precisam ser compartilhados com outros. Durante toda a sua longa e turbulenta história, o povo chinês sempre revelou uma verdadeira paixão pela arte de cozinhar. O resultado acontece em reuniões familiares ou em ruidosos banquetes. Na China, alguém que queira comer sozinho dificilmente encontrará uma mesa em um bom restaurante. Provavelmente terá de se contentar com um estabelecimento de “self-service” ou acabará comprando uma tigela de talharim em qualquer vendedor de rua. Em bons restaurantes, as mesas são redondas e os pratos são iguais ao número de comensais, de modo que todos tenham oportunidade de provar tudo o que está sobre a mesa.

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