A última Copa do Mundo do século 20 aconteceu em 1998. Pela segunda vez na história, a França foi escolhida como país-sede, definida em eleição na FIFA contra a candidatura do Marrocos. O Mundial também marcou um aumento na estrutura da competição, que passou a comportar 32 seleções.
A edição também simbolizou o fim de um longo ciclo político no futebol. Foi a última Copa realizada sob a presidência de João Havelange, brasileiro que comandou a FIFA desde 1974 e que transformou o torneio no maior evento global. Ele seria sucedido pelo suíço Joseph Blatter.
Todos os continentes receberam mais vagas. Pela América do Sul, estavam Brasil, Argentina, Colômbia, Paraguai e Chile pela América do Sul. Pela Europa, classificaram-se Alemanha, Itália, Espanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, Áustria, Escócia, Noruega, Dinamarca, Romênia, Bulgária, Croácia e Iugoslávia. Pela América do Norte, jogaram Estados Unidos, México e Jamaica. Pela África, avançaram Nigéria, Camarões, Marrocos, África do Sul e Tunísia. E pela Ásia, participaram Arábia Saudita, Coreia do Sul, Japão e Irã.
O formato do torneio gerou discussões. O agrupamento das seleções e o chaveamento foram estruturados de forma que Brasil e França se enfrentassem só em uma eventual final, algo que mais tarde seria admitido pelo dirigente francês Michel Platini, chefe do comitê organizador.
O Brasil chegou à Copa comandado novamente por Zagallo, que voltava ao cargo de técnico após ter sido campeão como jogador em 1958 e 1962, como treinador em 1970 e como coordenador em 1994. A equipe vivia o momento de ascensão de Ronaldo, atacante que, aos 22 anos, se consolidava como o grande fenômeno do futebol. Mas, apesar do talento ofensivo, a seleção enfrentava dificuldades para encontrar estabilidade defensiva e para definir quem seria o parceiro ideal de Ronaldinho no ataque.
Romário parecia ser esse companheiro. O atacante ficou um tempo afastado da seleção, retornou às convocações e foi considerado peça importante na preparação. No entanto, às vésperas da Copa, foi cortado de forma polêmica, oficialmente por uma lesão na panturrilha. Romário voltou a jogar pelo Flamengo ainda durante o Mundial.
Na campanha, o Brasil estreou vencendo a Escócia por 2 a 1, depois derrotou Marrocos por 3 a 0 e perdeu por 2 a 1 para Noruega, avançando em primeiro lugar no grupo. Nas oitavas de final, eliminou o Chile por 4 a 1. Nas quartas, superou a Dinamarca por 3 a 2. A semifinal trouxe um confronto histórico contra a Holanda, decidido nos pênaltis após empate em 1 a 1, com classificação brasileira por 4 a 2.
A anfitriã França, por sua vez, voltava a disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1986. A seleção contava com uma geração cujo principal nome era Zinedine Zidane, um meio-campista de enorme capacidade técnica que se tornaria o símbolo daquele time. A campanha começou com vitórias sobre África do Sul, Arábia Saudita e Dinamarca. Nas oitavas de final, venceu o Paraguai na prorrogação, com gol de ouro. Nas quartas, superou a Itália nos pênaltis. Na semifinal, derrotou a Croácia de virada.
A final, disputada no Stade de France, colocou frente a frente as duas seleções que muitos já imaginavam desde o início. O Brasil chegava confiante, mas o ambiente foi abalado horas antes da partida, quando Ronaldo sofreu uma convulsão na concentração, gerando desespero no elenco.
Embora tenha sido mantido na escalação, o atacante entrou em campo distante do seu melhor nível. Apáticos, tensos e desorganizados, os brasileiros foram dominados pela França, que venceu por 3 a 0, com dois gols de Zidane e um de Emmanuel Petit, conquistando o primeiro título mundial de sua história.