O medo de ser rotulado ainda afasta muitas pessoas do cuidado psicológico. Transtornos como depressão, ansiedade, bipolaridade, Síndrome de Burnout e esquizofrenia continuam cercados por preconceitos que atravessam gerações. Especialista explica que esse estigma tem raízes históricas.
No início, a psiquiatria e a psicologia tratavam casos graves, como as síndromes psicóticas, a exemplo da esquizofrenia. Isso criou, no imaginário coletivo, a ideia de que procurar tratamento é coisa de “louco”. A imagem dos antigos manicômios, das contenções com camisa de força e do isolamento reforçou essa percepção.
Com o avanço das abordagens terapêuticas, o cenário mudou. Hoje, muitas pessoas buscam atendimento mesmo sem diagnóstico formal. Ainda assim, parte da população, especialmente a mais velha ou que conviveu com casos graves na família, mantém resistência. Para alguns, abrir a própria história a um profissional é sinal de fraqueza.
Apesar disso, especialistas observam que a psicoterapia ganhou visibilidade e os estigmas vêm se tornando mais brandos.
Como combater o estigma
Enfrentar o preconceito exige múltiplas frentes e a informação qualificada, difundida pela mídia, é uma delas, pois alguém pode ler sobre o tema e perceber que buscar ajuda é uma possibilidade.
A família também desempenha papel central. Muitas vezes, um parente é quem incentiva o primeiro contato com o psicólogo. Em casos de pessoas idosas, a resistência pode ser maior, seja por questões culturais ou pela dificuldade em falar sobre emoções. Nesses contextos, é fundamental alinhar expectativas. Mudanças profundas não acontecem da noite para o dia, sobretudo quando há limitações cognitivas ou uso crônico de medicação.
A construção de uma cultura acolhedora passa ainda pela atuação integrada entre familiares, profissionais de saúde e políticas públicas que ampliem o acesso ao atendimento psicológico, reduzindo barreiras financeiras e sociais.
Desmistificando os transtornos mentais
Depressão e ansiedade estão entre os transtornos mais prevalentes atualmente, pois vivemos uma naturalização da sobrecarga. Estar sempre ocupado virou sinônimo de sucesso. A exaustão constante, no entanto, contribui para quadros de sofrimento psíquico.
Outro ponto sensível é a banalização dos diagnósticos. Termos como TDAH e autismo tornaram-se populares. Embora a ampliação do acesso à informação seja positiva, o autodiagnóstico pode gerar distorções. Avaliar é importante, mas rotular-se sem critério pode mascarar outras questões, como sobrecarga e excesso de estímulos. Testes online e uso indiscriminado de medicação também preocupam. Um diagnóstico incorreto pode virar justificativa para não desenvolver habilidades ou rever hábitos.
Cuidar da saúde mental diariamente ajuda o indivíduo a ter mais qualidade de vida em todos os sentidos e também é uma forma de se combater preconceitos e esse estigma que ainda ronda quem busca esses cuidados.