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Opinião

Memórias de viagem

Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (24)

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Depois de passar o dia visitando o Parque Nacional de Terelj, na Mongólia, foi o momento de voltar ao trem. O dia reservou a passagem pelas montanhas, a chegada a elas, a visita a uma pequena aldeia de yurtas, almoço nas estepes e a tarde com apresentações de lutas evocadas dos guerreiros do passado: luta livre, corrida de cavalos e competição de arco e flecha. Um dia realmente proveitoso de conhecimento da cultura do povo mongol.

Despedida da Mongólia – Esta foi a última noite da viagem de trem pelo território mongol. O jantar, com pratos típicos já nossos conhecidos, estava delicioso. Foram feitos brindes e, no piano-bar, relembramos muitos momentos e acontecimentos na terra mongol. Vamos sentir saudades, pois tudo foram descobertas e novidades não imaginadas. Abraçamo-nos, cantamos e desejamos que o próximo e último país a ser visitado, a China, nos contemplasse com conhecimentos e emoções que fossem memoráveis.

Viagem de trem rumo à China – O trem partiu muito cedo. Fomos passando por terras onde Gêngis Khan ensinou o seu povo a viver da espada e não do arado. Os mongóis foram pastores nômades, com uma cultura baseada na criação de cavalos que, durante muitos séculos, deixou vastos territórios de áspera beleza praticamente intocados e indomados. O espírito da Mongólia é independente, mas hospitaleiro por tradição e autônomo desde a década de 1920. Suas terras chegam à fronteira com a Rússia. O trem deslizava por estepes, campos com yurtas e também passou, ao longe, por um acampamento de pastores de renas, uma minoria étnica que cria, ordenha e monta esses animais, dos quais também se alimenta.

Deserto de Gobi – O trem chegou ao Deserto de Gobi e fez uma parada para andar de camelo. Homens acompanhavam esses animais e aguardavam os que quisessem passear. Os habitantes do local, que moram nas yurtas, são alegres e naturalmente generosos. Tratam bem os visitantes, oferecendo seus animais para andar pelas areias. No silêncio e no isolamento, guardam um estilo de vida simples e se mantêm tal como era há milhares de anos. No deserto, ainda havia o frescor da madrugada. A imagem das areias era surreal: tudo parecia um mar rosado; algumas flores pintavam aqui e ali. Uma tranquilidade em que se podia sentir a brisa passar. O local inspirava muita magia, e o imaginário dominava. Senti uma grande paz com a serenidade do momento. Esta permitia que as asas do pensamento pairassem sobre a imensidão das areias cor-de-rosa. Pura magia! Lembrei-me de que, nessas areias, está enterrado Gêngis Khan com seu cavalo e que, um dia, os mongóis esperam que ele ressurja para comandar o seu povo.

Gobi – Significa simplesmente “deserto”. De todas as terras áridas do mundo, essa região situada entre a Sibéria, ao norte, e o planalto do Tibete, ao sul, é a mais cercada de mistério. Com 1.600 km de extensão de leste a oeste, é politicamente dividida em duas partes: metade na Mongólia e metade na região setentrional da China. Ambas podem ser visitadas, mas o lado da Mongólia tem mais romantismo e milhões de habitantes a menos. O Gobi é fascinante, não apenas por motivos geográficos: é um lugar de cores sutis que mudam de acordo com a luz do dia. O céu é deslumbrante, com vastos espaços e uma paisagem totalmente silenciosa.

O deserto abriga civilizações perdidas – Uma minoria habita o Deserto de Gobi do lado da Mongólia. Este é de grande vastidão, quase hostil. Sua temperatura varia de –40 graus no inverno a 45 graus positivos durante o dia. O Deserto de Gobi foi a terra natal dos cavaleiros mongóis de Gêngis Khan, que espalharam o terror pela Ásia no século XIII. A descoberta de depósitos de carvão e petróleo no deserto levou à busca de outros tesouros naturais no subsolo.

Um mar de areia – Antigamente, o Deserto de Gobi, há milhões de anos, era coberto pelo mar. Hoje, é um vasto mar de areia que cobre metade da Mongólia. Está cercado por prados e não é totalmente desprovido de rios, já que caem chuvas ocasionais — embora a maior parte da água desapareça na areia ou nas desoladas planícies de cascalho. Na orla do deserto existem poucos oásis onde é possível cultivar frutas e cereais. Muitas dunas são formadas pelo vento. São areias em movimento que transformam, seguidamente, a paisagem.

O deserto e o trem – O trem permaneceu parado por algumas horas no Deserto de Gobi. Muitos passageiros foram andar de camelo. Nós permanecemos sentados do lado de fora, junto ao trem. O nosso Nicolai nos trouxe chá acompanhado de biscoitos e algumas frutas. Nosso grupo, que permaneceu, ficou usufruindo da beleza e, por que não dizer, da magia do local. Lembramo-nos de Gêngis Khan, herói espiritual e temporal dos mongóis até a revolução comunista, ali enterrado com o seu cavalo. Esse costume de enterrar assim os seus heróis acabou com a chegada da doutrina budista.

Conclusão – Depois de passar pelo Deserto de Gobi, a viagem continuou rumo à China. Deixamos as areias, os campos, os animais, o panorama calmo. Deixamos a Mongólia, onde os guerreiros de Gêngis Khan chegaram a conquistar o norte da China, no século XIII, montados em fortes pôneis. Esses animais resistem bem às nevascas do inverno e às secas do verão. Chuvas ocasionais podem transformar um solo árido em um pasto temporário. “O deserto é um espaço quase sem pessoas, mas cheio de vazios”.

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