Sindicalistas destacam a importância das entidades enquanto representantes das mais diferentes categorias trabalhistas
“Sindicato: Associação de profissionais que defende os interesses trabalhistas dos seus membros”, já em sua definição, segundo o dicionário online Caldas Aulete, o termo remete ao papel dos sindicatos frente aos trabalhadores. Sua origem remonta a Europa medieval nas corporações de ofício na Europa medieval. Já durante a revolução industrial na Inglaterra, os trabalhadores, oriundos das indústrias têxteis, doentes e desempregados juntavam-se nas sociedades de socorro mútuos.
O mesmo ocorreu no Brasil, no período de transição da economia baseada no modelo agrário-exportador, baseado na produção de café para o processo industrial. Diante das condições precárias oferecidas aos trabalhadores, surgiam então as primeiras associações mutualistas e de socorro mútuo, que tinham por finalidade obras assistenciais e ajuda recíproca na classe operária. Com o tempo, ultrapassaram os limites do assistencialismo e do mutualismo e passaram a defender interesses imediatos e comuns de todas as categorias, como melhoria dos salários e diminuição da jornada de trabalho, por exemplo.
Trabalhador representado
Os anos se passaram e ainda hoje a luta dos sindicatos permanece e sua atuação representa uma força a mais na defesa do trabalhador. “Isso é visível principalmente quando se compara um trabalhador sindicalizado com outro que não tem ligação à sindicato algum”, pontua o sindicalista da categoria de trabalhadores do comércio hoteleiro, restaurantes, bares e turismo do Alto Uruguai, Augusto de Borba.
A frente do sindicato que representa cerca de 400 associados e envolve pelo menos o dobro deste número, ele ressalta a importância das entidades nas relações trabalhistas. “O sindicato é tão importante que em muitos casos, mesmo não sendo tão atuante, já garante um respeito maior ao trabalhador. Tanto que sua atuação nem sempre está ligada exclusivamente às melhorias salariais, mas na relação entre empregador e empregado como um todo, pois o sindicato mostra que o trabalhador não está sozinho”, pontua o presidente do Sindthores.
Da mesma forma, Débora Martins Pinto, presidente do Sindicato que representa mais de 1,5 mil comerciários de Erechim e Getúlio Vargas, ressalta o papel do sindicato na defesa do trabalhador, especialmente no que se refere aos seus direitos. “A relação entre patrão e empregado muitas vezes é complicada quando o assunto é o cumprimento dos acordos e é aí que o sindicato precisa intervir. Além disso, vivemos um período complicado para os trabalhadores, com diversas medidas que os prejudicam. Acredito que sem um sindicato a precarização seria a ainda maior. Com a atuação da entidade eles estão, de certa forma, mais protegidos e fortalecidos”, pontua.
Além do assistencialismo
A atuação dos sindicatos envolve também, em muitos casos, a oferta de diferenciais à categoria representada através de diferentes convênios. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Gráficos de Erechim e Região, Gelson Resende, ressalta que em muitos casos são através destas iniciativas que os trabalhadores têm fácil acesso a serviços voltados à saúde, ao consumo e ao lazer, por exemplo. “O sindicato busca sempre bem estar do trabalhador exigindo das empresas um bom ambiente de trabalho, auxiliando os trabalhadores em diversas questões do dia a dia, sempre dando suporte para que ele possa estar em boas condições de exercer suas funções nas empresas”, esclarece.
Situação semelhante ocorre com servidores públicos municipais, representados pelo Sime, presidido pela sindicalista Sueli Marques dos Santos: “O sindicato além de representar e defender os interesses coletivos e individuais. Mantém através de seu jurídico um serviço de orientação, assessoramento e acompanhamento do associado na defesa de seus interesses inerentes ao cargo que ocupa”, enfatiza ao citar também convênios voltados à saúde, ao consumo e ao lazer. A entidade representa quase 900 associados e cumpre papel de validar toda e qualquer norma coletiva que representa a categoria, além de representá-la perante as autoridades administrativas e nos diferentes setores da sociedade.
Por fim, o presidente do Sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários, Gerson Klosinski, destaca o papel de orientação realizado pelas entidades sindicais e, principalmente de representação coletiva dos trabalhadores frente aos empregadores. “Nem sempre a categoria tem conhecimento de seus direitos e é aí que entra a importância de ter um sindicato. Além do mais, a luta realizada pelas entidades dá uma representatividade maior, uma vez que quem negocia não é patrão e empregado diretamente, o que poderia, de certa forma, intimidar o trabalhador. Portanto, os sindicatos são elos de ligação”, pontua.
Klosinski completa salientando a força do trabalho coletivo. “Os sindicatos organizam os trabalhadores junto aos seus, dando mais força às suas reivindicações e garantindo maior respeito às categorias como um todo”, finaliza, destacando que no caso do sindicato ao qual representa estão ligados cerca de quatro mil trabalhadores, sendo mais de 800 destes associados à entidade.