Psicóloga comenta emancipação, igualdade e cobranças da sociedade ao público feminino
O dia 8 de março costuma ser para muitos marcado por homenagens, flores e presentes às mulheres. Mas mais que isso, a data deve promover uma reflexão sobre como a sociedade ainda vê o público feminino, que tem sua história marcada por lutas em busca de reconhecimento e igualdade. Nesse contexto, a psicóloga e mestre em Psicologia, Fernanda Grendene, pontua acerca dos vários papéis que a mulher ocupa atualmente na sociedade. “É inegável que houve conquistas no que diz respeito a igualdade em relação aos homens. Hoje as mulheres tem ocupado lugares que antes eram exclusivamente masculinos. Porém muito ainda precisa ser conquistado pois ainda vivemos numa cultura machista”, pontua ela ao questionar o termo ‘igualdade’.
Fernanda salienta que a luta das mulheres, se por um lado resultou na conquista de liberdade, autonomia e reconhecimento, por outro, acabou gerando consequências, como a necessidade de administrar múltiplas funções, impulsionadas pela entrada da mulher no mercado de trabalho. “Isso criou uma dicotomia entre ter o sucesso profissional e também o sucesso nas relações afetivas, pessoais e familiares. Sua vida afetiva e familiar foi prejudicada sim, porém eu entendo que isso talvez seja uma etapa deste processo de emancipação da mulher. Eu percebo atualmente um questionamento. Será que precisa ser assim? Será que eu preciso fazer tudo isso mesmo?”, questiona a psicóloga, salientando que a mulher precisa fazer uma autoanálise para encontrar equilíbrio. “Também acredito que a entrada do homem nas responsabilidades das tarefas da casa e no cuidado dos filhos ajude na administração de todas essas funções. Se os homens compartilharem mais essas responsabilidades ambos poderão ter mais tempo de qualidade juntos”, exemplifica.
Sobre a participação masculina no que permeia o deslocamento de papel na sociedade, Fernanda afirma que os homens também percebem a mulher de forma diferente, ao passo que estão se inserindo em espaços que antes eram exclusivamente femininos. “Quando se fala em feminismo e empoderamento feminino, estamos nos referindo também a uma mudança dos homens. Não tem como olhar para as mulheres sem olhar para os homens. Toda relação é um sistema. Claro que ainda temos muito a avançar, principalmente no que diz respeito a violência contra a mulher”, pondera.
Algumas mudanças que podem vir a resultar em uma mudança de comportamento a longo prazo da sociedade no que se refere à mulher, podem ser estimuladas ainda na infância, a partir da educação de meninos e meninas. “As experiências da infância são constitutivas. As crianças estão inseridas num sistema familiar onde existem papéis e funções e, portanto, são modelos para elas. O que deve prevalecer na família é o respeito, as relações saudáveis e amorosas independente do gênero”, completa Fernanda.