Dias antes da eleição, quando esteve em Erechim, sua cidade natal, Sanderson ainda precisava convencer o eleitor. Hoje, depois de conquistar a maior votação entre os candidatos ao Senado no RS, a conversa muda de patamar. O discurso que apresentou durante a campanha passa a ser uma cobrança sobre aquilo que efetivamente fará em Brasília. E, se depender das declarações dadas naquela passagem por Erechim, o futuro senador não pretende chegar ao Congresso para fazer figuração.
Principal alvo de suas críticas
Ex-delegado da Polícia Federal, com 25 anos de carreira e participação em algumas fases da Operação Lava Jato, Sanderson elegeu o Supremo Tribunal Federal como um dos principais alvos de suas críticas: “não basta trocar ministros. É preciso mexer no próprio modelo de composição da Corte”, sublinhou.
“Vai resolver? Não sabemos. O fato é que, neste sistema, sabemos que não está certo”
Durante a entrevista, citou uma proposta apresentada por um senador que prevê que somente juízes de carreira possam chegar ao STF. A ideia estabelece ainda mandato de dez anos e exige mais de 20 anos de carreira dos indicados: “Vai resolver? Não sabemos. O fato é que, neste sistema, nós sabemos que não está certo”, resumiu.
Processos de impeachment
Para Sanderson, o Senado a partir de 2027, deve abrir pelo menos quatro processos de impeachment contra ministros do Supremo e fez críticas nominais a Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Tirar a toga de ministros
É um discurso que não deixa muito espaço para meio-termo. Sanderson não fala em acomodação. Fala em confronto institucional, em mudança das regras e em tirar a toga de ministros que, na sua avaliação, perderam as condições de permanecer no cargo. Sobre Alexandre de Moraes, chegou a afirmar que já identificou, no Código Penal, pelo menos cinco crimes que poderiam ser atribuídos ao ministro. Ressalvou, porém, que qualquer eventual responsabilização teria de passar pelo Senado, com direito de defesa e respeito ao devido processo: “Para ser enquadrado, o Senado Federal tem que abrir um processo de impeachment, dar direito de defesa, ampla defesa”, afirmou.
A votação expressiva aumentou a responsabilidade
A eleição lhe deu capital político. A votação expressiva aumentou a responsabilidade. Erechim, que o viu nascer e que recebeu o candidato nos últimos dias de campanha, agora poderá acompanhar de perto se o Sanderson do discurso será o mesmo Sanderson do Senado.