Celebrado no dia 21 de setembro, o Dia da Árvore ganha significado especial em uma região marcada pela presença de remanescentes da Mata Atlântica e pela importância histórica da vegetação para a paisagem, a biodiversidade e a qualidade de vida. No Alto Uruguai, iniciativas de preservação e arborização urbana mostram que a relação entre cidades e natureza está cada vez mais presente nas discussões sobre planejamento e desenvolvimento sustentável.
Em Erechim, uma das principais iniciativas recentes é o projeto de implantação de 25 bosques urbanos em diferentes pontos da cidade. Anunciado pela Prefeitura em junho deste ano, o programa prevê a arborização de áreas verdes com árvores frutíferas, espécies nativas e araucárias enxertadas. A proposta integra ações de preservação ambiental, sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida da população.
Segundo o município, entre as espécies frutíferas previstas estão ameixeiras, abacateiros, limoeiros e laranjeiras, além dos pinheiros enxertados. A iniciativa também procura aproximar os moradores dos espaços verdes, criando locais destinados ao contato com a natureza, convivência comunitária, lazer e atividades físicas.
Diversidade de espécies
A arborização de Erechim apresenta uma diversidade significativa. Dados do Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) identificaram 144 espécies arbóreas nos passeios e canteiros da cidade. Desse total, 71 espécies são nativas do Brasil.
O levantamento também mostra uma característica histórica da arborização urbana local: muitas das árvores presentes nas ruas são de espécies exóticas, resultado de diferentes períodos de plantio e das escolhas feitas ao longo da formação da cidade. Alguns exemplares, entretanto, são remanescentes da vegetação nativa que existia na região antes da expansão urbana.
Entre as espécies nativas que fazem parte da paisagem regional está a araucária, árvore símbolo da região Sul e uma das espécies características das antigas formações florestais do Alto Uruguai. A preservação de árvores nativas contribui não apenas para a identidade paisagística, mas também para a conservação da biodiversidade.
Vegetação urbana
Um estudo científico analisou a cobertura vegetal do perímetro urbano de Erechim entre 2010 e 2015. O levantamento identificou, em 2010, 1.922,67 hectares de vegetação nativa e 328,84 hectares de áreas de silvicultura, totalizando 2.251,51 hectares de cobertura vegetal.
Em 2015, a pesquisa apontou 1.687,70 hectares de vegetação nativa e 333,83 hectares de áreas de silvicultura, totalizando 2.021,53 hectares. O estudo registrou redução da cobertura vegetal no período analisado e apontou a influência do processo de urbanização sobre os fragmentos de vegetação.
Embora esses números sejam referentes a um período anterior e não representem um levantamento atualizado de 2026, eles ajudam a compreender os desafios enfrentados pelo município para conciliar crescimento urbano e preservação ambiental.