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Saúde

Pílula anticoncepcional não exige pausa após anos de uso

Troca ou interrupção depende de mudanças na saúde, como hipertensão, enxaqueca com aura e histórico de trombose

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Uso prolongado da pílula anticoncepcional não exige pausas: a troca deve ser avaliada conforme as co
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

A pílula anticoncepcional é o método contraceptivo escolhido por cerca de 33% das mulheres no Brasil, mas ainda é cercada por dúvidas. Entre elas está a ideia de que o medicamento precisa ser interrompido ou substituído depois de alguns anos de uso. Segundo as evidências científicas disponíveis, não há necessidade de fazer pausas apenas pelo tempo de utilização.

Há mais de quatro décadas, quando as pílulas continham doses hormonais mais elevadas e os efeitos de longo prazo eram menos conhecidos, existia o receio de que o uso contínuo pudesse aumentar riscos à saúde. A recomendação de interromper o tratamento, porém, não encontrou comprovação científica.

Fertilidade é preservada

Outro mito associado ao uso prolongado é o de que a pílula poderia reduzir a fertilidade ou dificultar uma gravidez depois da interrupção. O tempo de utilização do contraceptivo não altera as condições de fertilidade que a mulher apresentava antes de iniciar o método.

Após a suspensão da pílula, a gravidez pode ocorrer normalmente, com as condições individuais de fertilidade sendo o principal fator. Em média, a gestação ocorre em até cinco meses após a interrupção. A eficácia contraceptiva também não diminui simplesmente porque a mulher utiliza a pílula há muitos anos.

Quando a troca pode ser necessária

A mudança de método pode ser indicada quando surgem alterações nas condições de saúde. As contraindicações citadas são principalmente relacionadas às pílulas combinadas, que contêm estrogênio e progestagênio. Existem também contraceptivos formados apenas por progestagênio, com indicações e contraindicações diferentes.

Mulheres que desenvolvem enxaqueca com aura, por exemplo, podem precisar interromper o uso de anticoncepcionais combinados. A aura envolve alterações neurológicas transitórias, como pontos luminosos ou manchas na visão, e, nesse contexto, o uso de estrogênio está associado a maior risco de acidente vascular cerebral (AVC).

A hipertensão também pode exigir a substituição do método. Caso a mulher desenvolva pressão alta durante o período de uso, a avaliação médica é necessária porque os anticoncepcionais combinados podem aumentar o risco de AVC e infarto. Histórico de trombose é outra situação que contraindica, em muitos casos, métodos que contêm estrogênio, devido à influência do hormônio sobre a coagulação sanguínea.

Após uma gravidez, a mulher pode voltar a utilizar o mesmo anticoncepcional, desde que não tenham surgido condições de saúde que impeçam seu uso.

Troca por conta própria aumenta risco inicial

Interromper ou trocar a pílula sem orientação médica também pode ter consequências. O início de um contraceptivo combinado está associado a um pequeno aumento do risco de trombose, evento considerado raro. Esse risco é mais elevado no primeiro ano de utilização.

Por isso, uma mulher que interrompe o método sem necessidade e posteriormente começa outro contraceptivo combinado pode passar novamente por esse período inicial de maior risco, especialmente quando há mudança na composição hormonal.

A necessidade de reavaliar o anticoncepcional está relacionada, portanto, às condições de saúde e não simplesmente ao tempo de uso. Uma mulher pode começar a tomar a pílula aos 25 anos e, aos 40, apresentar hipertensão, enxaqueca ou outros fatores que modifiquem a indicação. Se não houver mudanças relevantes em sua saúde ou novos fatores de risco, o uso prolongado pode ser mantido com acompanhamento médico.

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