Gripe é infecção respiratória causada pelo vírus influenza, com sintomas mais intensos que os de um resfriado comum. Na maioria dos casos, a recuperação ocorre em cerca de uma semana, mas quadros mais graves podem evoluir para complicações pulmonares, como pneumonia.
Em Erechim, a procura por atendimento devido a síndromes respiratórias está baixa. A Fundação Hospitalar Santa Terezinha não registra, no momento, internações por síndrome respiratória aguda grave. A última foi em 24 de agosto, em um caso positivo para Influenza B (H1N1). Nos últimos oito dias, dos 67 testes realizados para Covid-19, H1N1 e VSR, apenas um resultado foi positivo, para VSR. Nas unidades básicas de saúde, a demanda também segue baixa.
Vacinação avança, mas idosos ainda estão abaixo do índice anterior
A vacinação já está um pouco maior do que foi em 2025. Em alguns grupos, os índices já superaram os do ano passado. Entre os idosos, porém, ainda falta para alcançar o resultado de 2025, e, por isso, ainda há trabalho a ser feito.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, o aumento nos números também está relacionado às campanhas extramuros realizadas pelas equipes em locais além das UBSs. As ações incluem vacinação em mercados, escolas, empresas, Esquina Democrática, casas de idosos e até mesmo em domicílio, quando há dificuldade de locomoção.
Para a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Cátia Banaszeski, é importante que a população compreenda a importância da imunização. Em Erechim, recentemente, foi confirmada a primeira morte por Influenza no ano, de uma idosa de 95 anos com comorbidades, uma parcela da população com maior possibilidade de desenvolver formas mais graves da doença.
Todo ano, a cepa do vírus sofre alterações, por isso a vacinação deve ser feita anualmente. Quem tomou a vacina neste ano não estará automaticamente protegido no ano seguinte. “Então o que a gente sempre orienta? Chegou a vacina, a pessoa tem que fazer. Ela não precisa esperar um período de um ano”, coloca Cátia.
A pessoa recebe a vacina durante o período de inverno, quando há maior circulação do vírus e mais agravamento dos casos, mas precisa refazer a imunização posteriormente em razão das mudanças na cepa viral.
Campanha segue cronograma nacional
As campanhas normalmente começam no final de março ou início de abril, com a aplicação das primeiras doses nos grupos prioritários, justamente os mais vulneráveis e com maior possibilidade de desenvolver formas graves da doença.
“O Ministério está priorizando por um tempo maior o pessoal prioritário, porque 95% de quem morre são desses grupos prioritários”, lembra o secretário municipal de Saúde, Vianei Mueller.
Os municípios precisam seguir o que é preconizado pelo Ministério da Saúde e respeitar um cronograma, até porque as doses são recebidas aos poucos e é preciso administrá-las de modo que o município não fique desassistido. No caso da gripe, trata-se de uma campanha voltada para um determinado período do ano, por isso é necessário organizar um cronograma que contemple o município durante todo o ano.
“A gente também tem que ter uma guarda de estoque de vacinas, porque ela é uma vacina de rotina. Uma criança que faz seis meses em dezembro está na rotina, então ela tem que ser vacinada, mesmo que no próximo ano vai mudar a cepa. Então a gente tem também uma estrutura de um estoque dessas vacinas para conseguir contemplar o ano todo até que venha a nova vacina”, aponta Cátia.
Secretaria reforça chamado para vacinação
“A vacina ela é prevenção e tudo que for preventivo tem o nosso apoio, o nosso trabalho constante enquanto serviço público, enquanto secretaria, mas a gente vem fazer esse chamamento de novo para a população, principalmente para os idosos que a gente está com esse índice ainda baixo e são os que mais acabam se acometendo, com doenças que no momento que tiver a Influenza, acaba agravando, evoluindo com uma pneumonia, para uma internação hospitalar. Então, quando a gente fala de vacina é prevenção. O ideal é fazer o quanto antes e a gente ainda está em períodos de frio, então, o ideal é que cada um se vacine o quanto antes”, frisa Cátia.
De acordo com Vianei, os números de vacinação já são melhores do que os registrados em 2025. No ano passado, por sua vez, o município havia registrado resultado superior ao de 2024. Para ele, a evolução está relacionada, entre outros fatores, ao trabalho realizado pelas equipes e às ações extramuros.
“Nós estamos vacinando mais que no ano anterior e em 2025 vacinamos mais que 2024 e isso dá um alento para a gente que está aqui. O nosso dever aqui é salvar vidas, mas não é só salvar vidas nas emergências, nas urgências, a gente quer salvar vidas nas prevenções e nas promoções da saúde, que é o que a vacina apresenta para nós. Então, o que a gente pede para a população é que continue se vacinando, que continue buscando os postos de saúde dentro dos horários que a gente estabelece para que amplie a cobertura vacinal e principalmente que se proteja. A proteção da vacina, ela é proteção individual e coletiva”, salienta Vianei.
A meta, segundo a Secretaria Municipal da Saúde, é continuar ampliando a cobertura. “A gente precisa continuar avançando e a nossa meta é cada ano estar melhor que o ano anterior”.
Vacinação no Acampamento Farroupilha
Neste sábado, 19 de setembro, se não chover, haverá vacinação no Acampamento Farroupilha, das 13h30 às 16h30. Em caso de tempo bom, a equipe da Secretaria Municipal da Saúde estará no local para vacinar a população.
Além da vacina contra a Influenza, a equipe também fará a atualização da caderneta de vacinação. Outras vacinas estarão disponíveis para a população.
Como ocorre a transmissão
O vírus da Influenza é transmitido principalmente por gotículas expelidas durante tosse ou espirro, que atingem as mucosas do nariz, boca e olhos de outras pessoas. O contágio também pode ocorrer por meio de superfícies contaminadas, já que o vírus resiste por horas em determinados ambientes. Daí a importância da higiene das mãos e dos espaços como medida preventiva.
Uma vez em contato com as mucosas, o vírus invade células do sistema respiratório para se multiplicar, permitindo que novas partículas infectem células vizinhas e sejam transmitidas a outras pessoas.
O período de incubação da gripe costuma variar de um a quatro dias. Isso significa que os primeiros sintomas podem surgir pouco tempo depois do contato com o vírus. A transmissão também pode ocorrer antes do aparecimento do quadro clínico, o que facilita a disseminação.
Sintomas da gripe
A gripe geralmente começa de forma mais repentina do que o resfriado. Os sintomas mais comuns são febre alta, dor de cabeça, dores musculares, fraqueza, mal-estar, tosse e congestão nasal.
A febre, muitas vezes, surge de maneira abrupta e pode ultrapassar 38,5°C. O quadro pode durar mais de uma semana, especialmente quando os sintomas são intensos.
Gripe e resfriado não são a mesma coisa
A confusão entre gripe e resfriado é comum, mas as doenças têm diferenças importantes. O resfriado pode ser causado por cerca de 200 vírus diferentes, entre eles os rinovírus. Normalmente provoca sintomas mais leves, como coriza, congestão nasal, dor de garganta e mal-estar moderado.
Quando há febre, ela costuma ser baixa, geralmente inferior a 38,5°C. A recuperação costuma ocorrer em dois a quatro dias.
Já a gripe é causada pelo Influenza e pode comprometer diferentes partes do sistema respiratório, incluindo faringe, traqueia e brônquios. Além dos sintomas respiratórios, é comum provocar febre alta, dores no corpo e forte sensação de cansaço.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a gripe. Como o Influenza sofre alterações frequentes, a composição dos imunizantes é atualizada periodicamente conforme os vírus que estão circulando.
Na rede pública, o SUS disponibiliza a vacina trivalente para os grupos definidos pelo programa de imunização. O imunizante protege contra três cepas do Influenza: duas do tipo A e uma do tipo B.
Em Erechim, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde, em 2026 foram aplicadas até o momento 35.390 doses. A cobertura entre os grupos prioritários está em 51,94%. Entre crianças, o índice é de 46,30%; entre gestantes, 74,32%; e entre idosos, 52,77%. No ano passado, o índice foi de 51,35%.
A proteção proporcionada pela vacina diminui ao longo do tempo, razão pela qual a imunização é realizada anualmente.
Vacina não causa gripe
As vacinas contra a influenza utilizadas na rotina são produzidas com vírus inativados ou componentes que não têm capacidade de provocar a gripe. Após a vacinação, algumas pessoas podem apresentar dor no local da aplicação, febre baixa ou mal-estar. Em geral, essas reações são leves e desaparecem em pouco tempo. A vacinação não impede todos os casos de gripe, mas reduz o risco de formas graves, complicações e mortes.
Cuidados continuam necessários
Mesmo com baixa circulação de vírus respiratórios em Erechim, medidas simples continuam recomendadas, como lavar as mãos, usar álcool em gel, manter ambientes ventilados, cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar e evitar contato próximo em caso de sintomas.
O uso de máscara também pode ser adotado em situações de maior risco de transmissão, especialmente em ambientes fechados e com grande concentração de pessoas.
A baixa procura por atendimento não afasta o risco de novos casos, já que a circulação viral varia conforme a época do ano e o clima. A vacinação permanece como uma das principais formas de reduzir a gravidade da doença.