Neste sábado, 29, o Brasil marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo, uma data que há quatro décadas chama a atenção para os impactos do tabagismo na saúde e para a necessidade de ampliar as ações de prevenção e tratamento. Em 2026, a campanha nacional ganha um novo enfoque: “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”.
A proposta do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é aproximar o combate ao tabagismo de hábitos saudáveis, especialmente entre adolescentes e jovens. A mensagem é direta: enquanto a atividade física fortalece os sistemas cardiovascular, respiratório e muscular, o cigarro compromete justamente essas funções.
A nicotina provoca vasoconstrição, reduz o fluxo sanguíneo e aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial. Já o monóxido de carbono presente na fumaça diminui a capacidade do sangue de transportar oxigênio. O resultado pode ser menor resistência física, fadiga mais rápida e recuperação mais lenta depois dos exercícios.
Um problema que ainda atinge milhões
Apesar da redução observada nas últimas décadas, o tabagismo continua representando um importante problema de saúde pública. Segundo o INCA, o Vigitel 2024 apontou que 11,5% dos adultos das capitais brasileiras e do Distrito Federal eram fumantes, sendo 13,9% dos homens e 9,5% das mulheres.
A série histórica mostra uma queda expressiva: em 2006, o percentual era de 15,7%. Entretanto, o período mais recente indica estabilização, reforçando a necessidade de manter as políticas de prevenção e cessação.
No Rio Grande do Sul, dados do Plano Estadual de Saúde, baseados no Vigitel 2021, apontaram 9,34% de adultos fumantes, sendo 11,85% entre os homens e 7,28% entre as mulheres. O mesmo levantamento apontou que 5,29% dos entrevistados fumavam 20 ou mais cigarros por dia.
É importante observar que o Vigitel não produz estimativas específicas para Erechim, pois sua metodologia acompanha as capitais estaduais e o Distrito Federal. Por isso, os números estaduais servem como referência para dimensionar o problema, mas não devem ser apresentados como uma estimativa da população fumante do município.
Erechim amplia as possibilidades de tratamento
Em Erechim, o combate ao tabagismo integra as ações da rede pública de saúde. A Secretaria Municipal de Saúde já mantém, por meio das Unidades Básicas de Saúde, orientação, acompanhamento e grupos de apoio para pessoas que desejam abandonar o cigarro.
Em publicação sobre o Dia Nacional de Combate ao Fumo, o município informou que os usuários interessados podem procurar sua UBS de referência, passar por avaliação clínica e, quando indicados, receber medicamentos utilizados no tratamento da dependência da nicotina, como adesivos. O trabalho também envolve grupos de apoio e acompanhamento individual.
A cidade ganhou, neste ano, mais uma alternativa para quem deseja parar de fumar. Em maio, a URI Erechim inaugurou o Ambulatório de Cessação do Tabagismo, estruturado para oferecer atendimento gratuito e sistemático, com suporte clínico e terapêutico multiprofissional e grupos voltados à mudança de hábitos.
A iniciativa aproxima universidade, profissionais da saúde e comunidade em torno de um dos maiores desafios relacionados à dependência da nicotina: compreender que parar de fumar não depende apenas de força de vontade. O tratamento pode envolver acompanhamento profissional, mudança comportamental e, quando necessário, medicamentos.
Exercício como aliado
A campanha de 2026 também procura mudar a forma de falar sobre o tabagismo. Em vez de concentrar a mensagem apenas nos prejuízos causados pelo cigarro, o INCA aposta nos benefícios de uma vida ativa.
Caminhar, correr, pedalar, nadar, dançar ou praticar esportes pode ajudar a reduzir a ansiedade e os sintomas da abstinência. Segundo o instituto, períodos curtos de atividade física podem diminuir a vontade de fumar durante o exercício e por algum tempo depois dele.
A estratégia é especialmente importante para quem está tentando abandonar o cigarro. A atividade física pode ocupar o momento em que surgiria a vontade de fumar, melhorar o humor, favorecer a autoestima e contribuir para a construção de uma nova rotina.
Também é uma questão coletiva
Os efeitos do tabagismo não atingem apenas quem fuma. De acordo com o INCA, a Organização Mundial da Saúde estima que o consumo de tabaco e seus derivados provoque cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo, sendo aproximadamente 1,3 milhão decorrentes da exposição ao fumo passivo.
A proteção dos ambientes coletivos também faz parte da política de controle. Em Erechim, a legislação municipal proíbe fumar em ambientes fechados de uso coletivo, reforçando a proteção de não fumantes contra a exposição à fumaça.
Outro desafio é o crescimento da experimentação de cigarros eletrônicos e outros dispositivos para fumar. Apesar da aparência diferente, eles não eliminam os riscos associados à nicotina. O INCA alerta que a substância provoca dependência e pode comprometer o sistema cardiovascular, enquanto os aerossóis inalados podem prejudicar a função pulmonar.
Parar é possível
O Dia Nacional de Combate ao Fumo, criado pela Lei Federal nº 7.488, em 1986, não representa apenas uma data de alerta. É também uma oportunidade para lembrar que quem fuma e deseja parar pode buscar ajuda.
Em Erechim, o primeiro caminho é procurar a Unidade Básica de Saúde de referência e conversar com os profissionais sobre o desejo de abandonar o cigarro. A rede pública oferece acompanhamento, e a cidade conta agora também com o novo ambulatório da URI.