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Igualdade feminina: uma conquista histórica que ainda enfrenta barreiras

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Por Da redação
Foto Ilustrativa

 Durante séculos, metade da humanidade precisou lutar para conquistar direitos que deveriam ser naturais. O direito ao voto, ao estudo, ao trabalho, à propriedade, à participação política e à liberdade de decidir sobre o próprio futuro foi, em diferentes momentos da história, negado ou limitado às mulheres.

 No dia 26 de agosto, o mundo volta sua atenção para essa caminhada. O Dia Internacional da Igualdade Feminina é uma oportunidade para reconhecer o longo percurso realizado pelas mulheres, mas também para lembrar que igualdade não significa apenas garantir direitos no papel. Significa assegurar que eles possam ser exercidos plenamente na vida cotidiana.

 A data tem origem na luta pelo sufrágio feminino nos Estados Unidos. Em 26 de agosto de 1920, foi certificada a 19ª Emenda à Constituição norte-americana, impedindo que o direito ao voto fosse negado em razão do sexo. A conquista tornou-se um símbolo de uma mobilização que atravessou fronteiras e inspirou movimentos pela ampliação dos direitos das mulheres em todo o mundo.

 No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. De lá para cá, as transformações foram profundas. As mulheres ampliaram sua presença nas universidades, no mercado de trabalho, nas empresas, na ciência, na cultura e nos espaços de decisão. Muitas profissões, antes quase exclusivamente masculinas, passaram a contar com uma participação feminina cada vez mais significativa.

Mas a caminhada está longe de terminar.

 Um dos exemplos mais evidentes está no mercado de trabalho. Dados divulgados pela ONU Mulheres em 2026 mostram que a participação feminina na força de trabalho brasileira é de 54,5%, enquanto entre os homens chega a 73,7%. A diferença salarial também permanece: para cada R$ 100 recebidos pelos homens, as mulheres recebem, em média, R$ 79. Entre as mulheres negras, a desigualdade é ainda mais acentuada, chegando a R$ 48 em comparação com o rendimento dos homens brancos.

 Os dados ajudam a demonstrar que a desigualdade não pode ser explicada apenas pela presença ou ausência das mulheres no mercado de trabalho. Há fatores históricos e estruturais envolvidos. A chamada divisão desigual das tarefas de cuidado continua sendo uma das principais barreiras.

 Segundo a ONU Mulheres, as brasileiras dedicam, em média, 21,4 horas por semana ao trabalho doméstico e de cuidados não remunerados, quase o dobro do tempo destinado pelos homens. São horas dedicadas à casa, aos filhos, aos idosos e à família que, embora fundamentais para o funcionamento da sociedade, raramente aparecem nas contas da economia.

 A desigualdade salarial também permanece como um desafio concreto. O Brasil conta com a Lei nº 14.611, de 2023, que reforçou a exigência de igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre mulheres e homens. Em 2026, o governo federal mantém relatórios de transparência salarial e políticas destinadas a ampliar a participação feminina, reduzir discriminações e estimular a presença de mulheres em cargos de liderança.

 Há sinais de avanço. O 5º Relatório de Transparência Salarial apontou crescimento no número de mulheres ocupadas, com expansão também da participação de mulheres negras no mercado formal. No entanto, os próprios indicadores mostram que crescimento da presença feminina não significa, automaticamente, igualdade de oportunidades ou de remuneração.

 Outro desafio está na política. Apesar de representarem mais da metade da população brasileira, as mulheres ainda ocupam uma parcela reduzida dos espaços de poder. Relatório divulgado pela ONU Mulheres em julho deste ano apontou que elas ocupam apenas 17,2% das cadeiras do Parlamento brasileiro, indicador que permanece estagnado e distante da paridade.

 A discussão sobre igualdade feminina, portanto, não pertence apenas às mulheres. Trata-se de uma questão de desenvolvimento, democracia e justiça social. Uma sociedade que limita as oportunidades de metade de sua população também limita seu próprio potencial.

 A igualdade começa com leis, mas não termina nelas. Ela precisa estar presente nas oportunidades oferecidas a meninas e mulheres, nos salários, nas empresas, na política, nas famílias e nas decisões cotidianas.

 Celebrar o 26 de agosto é reconhecer mulheres que abriram caminhos em épocas nas quais muitas portas permaneciam fechadas. É lembrar aquelas que lutaram pelo direito de votar, estudar, trabalhar e participar das decisões da sociedade.

Mas é, sobretudo, olhar para o presente.

 As conquistas foram muitas e inegáveis. Ainda assim, os números mostram que o caminho para uma igualdade efetiva continua sendo construído. A verdadeira igualdade feminina será alcançada quando nascer mulher não significar enfrentar menos oportunidades, receber menos pelo mesmo trabalho ou precisar lutar duas vezes mais para ocupar o mesmo espaço.

 A história já mostrou que mudanças são possíveis. O desafio agora é fazer com que as conquistas deixem de ser exceção e se transformem, definitivamente, em igualdade.

 

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