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Saúde

Catarata pode reduzir a visão sem ser percebida

Embaçamento progressivo, dificuldade para dirigir à noite e sensibilidade à luz são sinais que merecem avaliação oftalmológica

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Dr. Fábio Vaccaro em entrevista à TV Bom Dia falando sobre o Agosto Cinza e os cuidados com a Catara
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Amanda Gatti

A catarata está entre as doenças oculares mais frequentes e costuma aparecer com o envelhecimento do olho. A perda visual pode ocorrer de forma lenta, fazendo com que muitas pessoas se acostumem às limitações e atribuam as dificuldades apenas à idade. O diagnóstico e o acompanhamento oftalmológico permitem identificar o problema e definir o momento adequado para o tratamento.

Durante o Agosto Cinza, período dedicado à informação, prevenção e diagnóstico precoce da catarata, o médico oftalmologista do Instituto de Olhos Santa Luzia, Dr. Fábio Vaccaro, especialista em catarata e córnea, cirurgia refrativa a laser, ceratocone e transplante de córnea, explica os principais sinais da doença, os cuidados preventivos e os avanços no tratamento.

O que é a catarata

A catarata ocorre quando o cristalino, lente natural localizada dentro do olho, perde sua transparência. Com a idade ou em decorrência de determinadas doenças, essa estrutura pode ficar opaca e comprometer a passagem da luz.

“A catarata é a opacidade de uma lente natural do olho. Todos nós temos uma lente que se chama cristalino e com a idade ou por algumas doenças oculares ou sistêmicas, essa lente vai ficando opaca e o paciente vai começar a ter uma visão embaçada”, explica o médico.

O principal sintoma é o embaçamento progressivo da visão. Também podem surgir dificuldade para dirigir à noite, sensibilidade à luz e necessidade frequente de trocar o grau dos óculos. Em alguns casos, a perda visual evolui rapidamente, em outros, ocorre de maneira gradual.

Quando os sinais merecem investigação

A catarata normalmente não é identificada apenas ao observar o olho. Em fases avançadas, quando a opacidade fica muito intensa, a pupila pode apresentar uma aparência esbranquiçada. Na maioria das situações, porém, é o próprio paciente quem percebe a mudança na visão.

Dificuldades para realizar tarefas cotidianas, dirigir à noite, caminhar com segurança ou lidar com ambientes muito iluminados podem indicar que a alteração visual precisa ser investigada.

A cirurgia costuma ser considerada quando a catarata passa a interferir na rotina. Um paciente pode ter catarata identificada em uma consulta, mas continuar realizando suas atividades sem limitações. Nesse cenário, o acompanhamento pode ser suficiente naquele momento.

Quando a doença começa a comprometer a independência, provocar insegurança ou aumentar o risco de quedas e dificuldades ao dirigir, a intervenção pode ser indicada.

Não é preciso esperar a catarata amadurecer

A ideia de aguardar a catarata ficar “madura” para realizar a cirurgia está relacionada a uma época em que os procedimentos tinham menos recursos tecnológicos e exigiam uma perda visual maior antes da intervenção.

Atualmente, a indicação considera o impacto da catarata na vida do paciente, seu estilo de vida, profissão e atividades diárias. A evolução dos exames pré-operatórios, dos equipamentos cirúrgicos e das lentes intraoculares permite realizar o procedimento em fases mais precoces.

A cirurgia também pode reduzir a dependência dos óculos, dependendo das características do olho e da lente escolhida.

Hábitos podem retardar o envelhecimento ocular

Na maioria dos casos, a catarata está relacionada ao envelhecimento natural do olho, processo que não pode ser interrompido. Algumas medidas, porém, podem contribuir para retardar alterações oculares.

Entre os cuidados estão proteger os olhos contra a radiação ultravioleta, controlar o diabetes, não fumar, evitar o uso indiscriminado de corticoides e manter hábitos de vida saudáveis. “Acho que tudo isso favorece o retardo do envelhecimento”, pontua Vaccaro.

Óculos de sol precisam ter proteção UV

A exposição aos raios ultravioleta contribui para o envelhecimento de diferentes estruturas oculares, incluindo o cristalino. Por isso, os óculos de sol podem fazer parte dos cuidados preventivos.

A proteção, porém, não depende apenas da cor das lentes. É necessário utilizar produtos de boa procedência que ofereçam proteção contra os raios UVA e UVB. “O óculos de sol não é apenas estéticos ou bem-estar, ele faz parte da prevenção da saúde ocular”, afirma o oftalmologista.

Consultas ficam ainda mais importantes após os 40 anos

O acompanhamento oftalmológico periódico é recomendado mesmo quando a pessoa acredita estar enxergando bem. A partir dos 40 anos, esse cuidado ganha importância, e depois dos 60 anos aumenta a atenção para catarata, glaucoma e doenças da retina.

“Um olho que enxerga, não necessariamente é um olho saudável. Tem muitas doenças que evoluem silenciosamente enquanto a pessoa ainda está enxergando bem. Então você não deve deixar para procurar o seu médico oftalmologista, somente quando você não enxergar mais, porque aí pode ser que seja um pouco tarde”, alerta Vaccaro.

A avaliação permite identificar alterações antes que elas provoquem limitações importantes.

Como é a cirurgia

No Instituto de Olhos Santa Luzia, segundo o médico, a cirurgia é realizada com anestesia tópica, por meio de colírios anestésicos. O paciente recebe sedação para permanecer tranquilo durante o procedimento.

“No Instituto de Olhos Santa Luzia, nós realizamos a cirurgia com anestesia tópica, onde o paciente vai na clínica e é feito uma sedação só para tranquilizar um pouco e a anestesia são com colírios anestésicos. A cirurgia demora em torno de 10 a 15 minutos e terminado o procedimento, o paciente espera alguns minutos e já vai embora para casa com o olho aberto já, usando colírios e antibióticos”.

A recuperação varia conforme o paciente e suas atividades. Em muitos casos, a melhora da visão é percebida nos primeiros dias. Na primeira semana, é necessário ter cuidados para reduzir o risco de infecção, evitando sujeira e ambientes contaminados. Atividades como usar computador e celular podem ser retomadas rapidamente, conforme orientação médica.

O medo ainda é um dos motivos para adiar

O receio da cirurgia é comum entre pacientes que precisam tratar a catarata. Para Vaccaro, informação e conversa com o oftalmologista são importantes para esclarecer expectativas e entender como será o procedimento.

Os equipamentos atuais permitem incisões pequenas e um procedimento mais rápido em comparação com técnicas antigas. O médico orienta que cada paciente converse com seu especialista sobre as condições do próprio olho, os benefícios esperados e as possibilidades de tratamento. “Não tem porque você deixar a tua qualidade de vida, a tua visão piorar para daí optar pela cirurgia”, pontua.

A perda visual não deve ser automaticamente considerada uma consequência inevitável da idade. Quando a causa é a catarata, existe tratamento capaz de recuperar a visão e favorecer a retomada de atividades que foram sendo abandonadas.

Resultado depende das condições do olho

A cirurgia trata a catarata, mas não corrige automaticamente outros problemas oculares. Alterações na córnea, no nervo óptico ou na retina podem limitar o resultado visual.

A avaliação pré-operatória permite analisar essas estruturas e estimar o potencial de recuperação. Quando a catarata é o único problema ocular, a expectativa de recuperação visual pode ser muito alta. “Se o paciente não tem nenhum outro problema ocular, é somente a catarata, a recuperação visual é 100%”, afirma o médico.

Escolha da lente é individual

A evolução das lentes intraoculares ampliou as possibilidades após a cirurgia. As lentes monofocais podem corrigir a visão para longe, mantendo a necessidade de óculos para perto. Há também lentes destinadas à correção do astigmatismo.

As lentes multifocais e trifocais podem reduzir a dependência de óculos para diferentes distâncias, mas não são indicadas para todos os pacientes. Alterações na córnea, retina ou outras condições oculares podem contraindicar seu uso.

A escolha também leva em conta a rotina de cada pessoa. Quem dirige frequentemente à noite, passa muitas horas diante do computador ou realiza atividades que exigem visão muito próxima pode ter necessidades diferentes.

“Cada paciente tem a melhor lente para o seu olho. Nem toda lente é boa para todo mundo e a decisão de qual lente vai ser implantada é muito importante, porque isso vai decidir a qualidade visual do paciente por muitos anos”, explica Vaccaro.

A definição envolve exames detalhados do olho, incluindo avaliação da córnea e outras estruturas. O objetivo é escolher uma lente compatível com as condições anatômicas e as necessidades do paciente.

Catarata não volta após a cirurgia

A catarata não reaparece depois de removida. Isso vale para pessoas operadas em diferentes idades, inclusive nos casos de catarata congênita ou associada a medicamentos.

Pode ocorrer, porém, a opacificação da cápsula posterior, estrutura que permanece no olho após a retirada do cristalino opaco. Nessa situação, a visão pode voltar a ficar embaçada.

O tratamento é realizado com laser, geralmente em consultório, sem necessidade de uma nova cirurgia de catarata. O procedimento é conhecido como limpeza ou abertura da cápsula posterior.

Por que não esperar demais

Cataratas muito avançadas podem tornar a cirurgia mais complexa. Quanto mais endurecido o cristalino, maior pode ser a dificuldade para fragmentá-lo durante o procedimento. Em casos avançados, também pode haver necessidade de uma anestesia diferente daquela utilizada nas cirurgias realizadas em fases mais precoces. A avaliação no momento adequado permite planejar o tratamento antes que a doença provoque limitações maiores.

Informação e diagnóstico precoce

A principal orientação durante o Agosto Cinza é não considerar normal uma redução progressiva da visão, independentemente da idade. “Nesse agosto cinza, eu queria reforçar que seria muito importante que todos os pacientes levassem a mensagem que não é bom deixar a sua visão piorar, a deixar a sua visão cair e achar que isso é normal. Toda baixa visual em qualquer idade que seja merece uma avaliação oftalmológica”, pontua o médico.

A catarata pode avançar lentamente e levar a pessoa a adaptar sua rotina à visão reduzida. Deixar de dirigir, ler ou realizar atividades com a mesma segurança pode ser interpretado como consequência natural do envelhecimento, quando a causa pode ser tratável.

A recomendação é manter avaliações oftalmológicas periódicas, com atenção especial a partir dos 40 anos e acompanhamento mais cuidadoso após os 60.

“E hoje, a oftalmologia tem todas as condições de restabelecer a visão de uma maneira segura, confortável, melhorando a qualidade de vida e a qualidade visual”, conclui Vaccaro.

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