21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Expressão Plural

A história das Copas: 2026 e o futebol entre fronteiras

teste
Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

A Copa do Mundo de 2026 entrou para a história antes mesmo de a bola rolar. Em 2018, a FIFA escolheu a candidatura conjunta de Estados Unidos, México e Canadá para sediar o torneio, superando a proposta apresentada por Marrocos. Pela primeira vez, o maior evento do futebol seria organizado por três países, ampliando a dimensão logística da competição e consolidando um novo modelo de realização.

A edição também marcou o início de uma nova era dentro de campo. Pela primeira vez, a Copa contou com 48 seleções e 104 partidas, estabelecendo recordes e exigindo uma reformulação completa do regulamento, da distribuição de vagas e da logística do torneio. Os jogos foram distribuídos por 16 cidades-sede, com a maior parte concentrada nos Estados Unidos, enquanto México e Canadá receberam um número menor de partidas.

Apesar da grandiosidade da organização, o Mundial foi cercado por questões políticas. A relação entre a FIFA e o governo dos Estados Unidos foi alvo de críticas durante toda a competição, especialmente diante da postura do presidente Donald Trump e da proximidade com o presidente da FIFA, Gianni Infantino. A política migratória norte-americana também gerou desconforto. O árbitro somali Omar Artan teve sua entrada no país negada, enquanto cidadãos de países presentes em listas de restrições enfrentaram dificuldades para acompanhar o torneio. A situação mais delicada envolveu o Irã, que sequer pôde estabelecer sua preparação em território estadunidense e fez de seu centro de treinamento e concentração no México. Outra polêmica ocorreu quando a FIFA anulou a suspensão decorrente da expulsão do atacante estadunidense Folarin Balogun, decisão que alimentou questionamentos sobre a independência da entidade.

Em campo, o novo regulamento ampliou o alcance da competição. As 48 seleções foram distribuídas em 16 grupos, classificando-se 32 para uma inédita fase de 16 avos de final, antes do tradicional mata-mata. Além das seleções da América do Norte, as classificadas para o torneio foram Espanha, França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Holanda, Bélgica, Croácia, Suíça, Áustria, Noruega, Turquia, Tchéquia, Bósnia, Escócia, Suécia, Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Equador, Paraguai, Marrocos, Senegal, Egito, Argélia, Tunísia, Gana, RD Congo, Costa do Marfim, Cabo Verde, África do Sul, Panamá, Haiti, Curaçao, Japão, Coreia do Sul, Austrália, Irã, Arábia Saudita, Uzbequistão, Jordânia, Iraque, Catar e Nova Zelândia.

Entre os destaques, tivemos a terceira ausência consecutiva da Itália e as grandes campanhas africanas: Cabo Verde segurou Espanha e Argentina, caindo nos 16 avos de final, o RD Congo parou Portugal e também foi até à segunda fase, e o Egito avançou até as oitavas de final, vendendo caro a derrota para a Argentina.

A seleção brasileira viveu um ciclo instável. Após a saída de Tite em 2022, quatro técnicos passaram pelo comando. Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior duraram pouco tempo, até que a CBF concretizou o antigo desejo de contratar o italiano Carlo Ancelotti, que era a primeira opção da entidade desde 2023. Mas o treinador italiano assumiu apenas em maio de 2025, sem ter tempo suficiente para implementar todas as ideias que imaginava para a equipe.

Outro tema recorrente foi Neymar. Já em fase de declínio da carreira e convivendo com sucessivas lesões, o atacante participou pouco do ciclo, mas acabou convocado para a Copa. A decisão gerou intensos debates e alimentou especulações sobre pressão de fãs e de dirigentes, embora nunca tenha havido confirmação oficial de qualquer interferência.

A campanha brasileira começou com um empate em 1 a 1 diante do Marrocos. A reação veio com duas vitórias seguras: 3 a 0 sobre o Haiti e 3 a 0 contra a Escócia, garantindo a classificação. Nos 16 avos de final, a seleção saiu atrás do Japão, mas mostrou poder de reação e venceu por 2 a 1. Nas oitavas de final, porém, veio a grande decepção. Diante da Noruega, o Brasil voltou a apresentar dificuldades, acabou derrotado por 2 a 1 e encerrou sua participação de maneira precoce. A eliminação representou a pior campanha brasileira em Copas do Mundo desde 1990.

Enquanto o Brasil decepcionava, a Espanha confirmou o favoritismo de muita gente e chegou ao segundo título. A estreia trouxe dificuldades inesperadas diante de Cabo Verde, que segurou um empate sem gols. Depois, a seleção espanhola goleou a Arábia Saudita por 4 a 0 e venceu o Uruguai por 1 a 0.

No mata-mata, a Espanha cresceu ainda mais. Goleou a Áustria por 3 a 0 nos 16 avos de final, eliminou Portugal por 1 a 0 nas oitavas, superou a Bélgica por 2 a 1 nas quartas de final e derrotou a poderosa França, considerada por muitos a melhor seleção do torneio, por 2 a 0 na semifinal.

Na final, a Espanha encontrou a então campeã Argentina. A partida foi dominada totalmente pelo time espanhol, mas a definição ficou para a prorrogação. Foi nela que a Espanha encontrou o gol da vitória por 1 a 0, conquistando o título mundial e encerrando uma campanha marcada pelo equilíbrio entre posse de bola, intensidade, organização defensiva e eficiência ofensiva. A conquista consolidou uma geração de jovens talentos que devolveu os espanhóis ao topo do futebol mundial e encerrou uma Copa em que, dentro e fora de campo, o futebol precisou conviver com temas que ultrapassaram as quatro linhas.

Publicidade

Blog dos Colunistas

;