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Região

O trabalho de quem constrói o futuro de Estação

No campo e na estrada, produtores e motoristas fortalecem o desenvolvimento do município

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Propriedade rural da família Londero, em Estação
A criação de vacas leiteiras é a principal fonte de renda da família Londero
O produtor Fábio Londero está à frente das atividades desenvolvidas na propriedade
Motorista Fabiano Kempfer, conhecido como ‘Borelão’
Por Heric Oliveira
Foto Heric Oliveira

O sustento do país vem da terra, onde o frio e o mau tempo são vencidos com coragem para plantar, colher e cuidar de animais. Seja com o trabalho no campo ou nas entradas transportando o alimento, produtores rurais e motoristas, desempenham papel fundamental no desenvolvimento de Estação.

Família Londero forma sua história com a força da pecuária leiteira

Foi através da pecuária leiteira, que a família Londero construiu sua vida e sua herança, no interior do município. A atividade contribuiu para colocar o Rio Grande do Sul na posição de terceiro maior produtor de leite do Brasil. É por meio dela que se produz um dos alimentos de maior valor nutritivo para o consumo humano.

O serviço é dirigido atualmente pelo filho Fábio Londero. Desde jovem, voltou seus esforços para dar continuidade ao que os pais começaram. Por intermédio de implementos tecnológicos, ele mantém eficiente e rentável os processos de produção.  

Frente às demandas do mercado e a competitividade em relação aos grandes empreendimentos rurais, foi necessário maximizar o rendimento e implementar o sistema de confinamento do gado leiteiro.

Segundo Fábio, a dimensão das terras também foi uma dificuldade para evoluir em plantação ou outros afazeres. “A propriedade era pequena quando assumi, seria inviável aqui na região porque é forte em soja, outras culturas e lavoura. Resolvi seguir com vacas de leite e investir nelas. É o que mais dá retorno por área. Trabalhar para fora não queria mais e resolvi investir nos animais, confiná-los e aumentar a produtividade”, ressaltou.

Produção de leite avança com eficiência e inovação

O agricultor cria vacas da raça Holandesa, reconhecida como a principal raça leiteira do mundo e facilmente identificada pela pelagem malhada em preto e branco. Elas são geradas em diferentes ambientes, de acordo com cada fase de desenvolvimento, até atingirem o porte e o peso adequados para confinar.

Para ele, “hoje tudo é pensado em saúde animal. É feito a genética, acasalamento, inseminação e dieta. Todos os produtos e o manejo, são voltados para garantir quantidade, qualidade e obter um retorno. Tudo é planejado na produção de leite porque é a nossa única renda. É o que paga a conta no final”, expressou.

“É um serviço para quem gosta porque é diário e não existe férias. Todos os dias é isso. De agora em diante, vamos continuar ampliando, aumentar o pavilhão e fechar todas as vacas. Eu gosto muito de trabalhar com isso e pretendo continuar”, disse.

Uma cidade nascida nos trilhos que segue em movimento pelas estradas

Não é apenas no campo que a vocação faz a diferença. Em Estação, esse compromisso também se reflete na atuação do motorista Fabiano Kempfer. Em um município que nasceu em torno da estrada de ferro e da estação ferroviária, o transporte segue desempenhando um papel essencial no desenvolvimento local e no movimento da economia.

O condutor revelou ter carinho pela profissão desde muito cedo. “A gente começou já era uma paixão desde criança, querendo crescer e virar motorista para lidar com caminhão. Começamos com um pequeno, era um caminhãozinho menor. Evoluímos para um truck, seguimos para a carreta e hoje estamos no bitrem”, explicou ele.

Com veículo próprio, Fabiano presta serviços para empresas, transportando grãos para diferentes estados do país. Na estrada, enfrenta desafios diários, como rodovias em condições adversas, longas jornadas de trabalho e a constante necessidade de atenção diante da insegurança dos percursos.

Cada viagem representa dias longe do seu lar, mas é o ofício que garante o suporte e constrói seu futuro. “Temos muito orgulho porque conseguimos sustentar a família e manter nossos valores. Claro, passamos muita saudade fora. É confortável, mas não é que nem dormir em casa e com a esposa. Fazemos a comida, porém nem sempre é possível porque tem dias de chuva e não tem como cozinhar”, expôs.

Além de assegurar o transporte de alimentos, quem conduz desempenha um papel importante na economia, movimentando restaurantes, oficinas, postos de combustíveis e uma série de outros negócios que fazem parte de sua rotina.

Entre desafios, a resistência de uma profissão essencial e cada vez mais escassa

Quando o sono chega, o descanso acontece dentro da própria cabine da carreta. Para as refeições, o caminhoneiro conta com uma geladeira acoplada ao transporte, além de um fogareiro utilizado no preparo das refeições e no aquecimento da água para o chimarrão. Longe de representar luxo, essa estrutura revela a simplicidade do dia a dia de uma profissão marcada por desafios e que, com o passar dos anos, tem se tornado cada vez mais rara.

Segundo Fabiano, a classe “move o Brasil em cima das rodas. Os trens pararam então a gente está movendo tudo no caminhão. Na nossa região tem muita escassez de motoristas. Os profissionais mais jovens ainda não estão demonstrando grande adesão, enquanto aqueles com mais tempo de atuação estão envelhecendo. Está ficando bem escasso. É muito sofrido, a gente não tem tempo de fazer academia ou um esporte. Por exemplo, agora vamos sair para viajar e o fim de semana chega ao fim. É preciso estar dentro da cabine e trabalhar”.   

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