Antes de decidir o que vai para o carrinho do supermercado, muitos consumidores olham apenas para o número de calorias indicado na embalagem. Embora essa informação seja importante, ela representa apenas uma parte do que o rótulo pode revelar sobre um alimento. Quantidades elevadas de sódio, açúcares adicionados, gorduras saturadas e a presença de aditivos alimentares também merecem atenção, já que o consumo frequente desses componentes está associado ao aumento do risco de doenças crônicas.
Desde 2022, a rotulagem nutricional dos alimentos passou por mudanças no Brasil com a entrada em vigor das novas regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta é tornar as informações mais claras e facilitar a comparação entre produtos, permitindo que o consumidor faça escolhas mais conscientes no momento da compra.
Mudanças tornam informações mais claras
Entre as principais alterações está a padronização da tabela nutricional, que passou a apresentar letras maiores, melhor contraste e organização das informações. Outra novidade é a rotulagem nutricional frontal, identificada pelas lupas na parte da frente das embalagens, que alertam quando o alimento apresenta excesso de açúcares adicionados, gordura saturada ou sódio.
Essas advertências aparecem em alimentos industrializados que ultrapassam os limites estabelecidos pela regulamentação. Produtos in natura, bebidas alcoólicas e alguns ingredientes culinários, como açúcar e óleos, estão entre as exceções às regras da rotulagem frontal.
Outra mudança importante foi a inclusão das informações nutricionais por 100 gramas ou 100 mililitros, além da tradicional indicação por porção. Antes, cada fabricante podia utilizar porções diferentes, o que dificultava a comparação entre marcas. Com uma referência padronizada, o consumidor consegue identificar com mais facilidade qual produto possui maior quantidade de calorias ou nutrientes críticos.
Um exemplo simples é o caso dos sucos. Enquanto uma marca apresenta os dados para uma porção de 200 ml, outra pode utilizar 150 ml. Ao observar os valores por 100 ml, ambos passam a ter a mesma base de comparação, tornando a escolha mais transparente.
Calorias não contam toda a história
Especialistas alertam que um alimento com poucas calorias não é necessariamente mais saudável. Um produto pode apresentar baixo valor energético, mas conter grandes quantidades de sódio, açúcares adicionados ou gordura saturada.
Por isso, além das calorias, é importante verificar a quantidade desses nutrientes na tabela nutricional. O consumo excessivo de gordura saturada, carboidratos simples, principalmente quando há adição de açúcar, e sódio está relacionado ao desenvolvimento de hipertensão, doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes ao longo do tempo.
A qualidade da alimentação depende do conjunto de nutrientes presentes no alimento, e não apenas do número de calorias informado na embalagem.
Ingredientes também revelam a qualidade do produto
A lista de ingredientes é outro item que merece atenção. Ela informa tudo o que foi utilizado na fabricação do alimento e pode indicar o grau de processamento do produto.
Alimentos ultraprocessados costumam conter conservantes, estabilizantes, corantes, aromatizantes e adoçantes. Essas substâncias são autorizadas para consumo, mas algumas pessoas podem apresentar sensibilidade, reações alérgicas ou desconfortos gastrointestinais relacionados a determinados componentes.
Em produtos diet, por exemplo, é comum a presença de polióis, uma classe de adoçantes que pode provocar desconforto intestinal em indivíduos mais sensíveis quando consumida em grandes quantidades.
Informação ajuda na escolha
A leitura completa da rotulagem é uma aliada importante para quem busca uma alimentação equilibrada. No entanto, especialistas lembram que o hábito deve ser acompanhado da preferência por alimentos in natura ou minimamente processados, que, em geral, apresentam melhor qualidade nutricional.
Também é recomendável reduzir o consumo de carboidratos simples, optar por versões integrais sempre que possível, moderar a ingestão de gorduras saturadas, presentes principalmente em alimentos de origem animal e produtos com gordura hidrogenada, além de controlar o consumo de sal.
Ao escolher um alimento, vale observar as lupas na parte frontal da embalagem, analisar a tabela nutricional além das calorias, conferir a lista de ingredientes e, sempre que possível, priorizar produtos com composição mais simples e menor grau de processamento. Essas medidas contribuem para escolhas mais conscientes e para uma alimentação mais saudável no dia a dia.