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Saúde

Telas realmente fazem mal aos olhos do meu filho?

CODI – Clínica de Oftalmologia e Dermatologia Integrada “Onde o carinho encontra a inovação”

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CODI – Clínica de Oftalmologia e Dermatologia Integrada “Onde o carinho encontra a inovação”
Dr Lucas Baldissera Tochetto – especialista em Córnea e superfície Ocular na CODI – Clínica de Oftal
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação Clínica CODI

Celulares, tablets, computadores e televisões fazem parte da rotina das crianças modernas. Com isso, uma dúvida muito comum entre os pais é: o excesso de telas pode prejudicar a visão dos meus filhos?

A resposta é sim, mas não exatamente da forma que muitas pessoas imaginam.

O que as telas causam?

O uso prolongado de telas geralmente não provoca danos permanentes aos olhos de crianças saudáveis. No entanto, pode causar uma série de sintomas conhecidos como fadiga visual digital.

Entre os principais sintomas estão:

- Olhos cansados;

- Ardência ou vermelhidão;

- Sensação de ressecamento;

- Dor de cabeça;

- Visão embaçada temporária;

Isso acontece porque, ao olhar para telas, piscamos menos vezes do que o normal, reduzindo a lubrificação natural dos olhos, ao mesmo tempo que temos que fazer um esforço com o músculo interno dos nossos olhos (causando uma fadiga muscular do mesmo), o que leva ao sintoma de dor de cabeça e cansaço ao final do dia.

Mas se não temos danos a longo prazo, por que essa loucura de dizer que temos que tirar as telas das nossas crianças?

Às vezes os maiores problemas não estão nos olhos, mas no desenvolvimento da criança como um todo.

Desde a infância até a vida adulta, diversas regiões do cérebro humano seguem se desenvolvendo e amadurecendo em função de estímulos internos e influências externas. Esse processo de crescimento e desenvolvimento cerebral e mental apresenta características que tornam a criança e o adolescente mais vulneráveis.

Há razoável consenso na literatura científica de que, por encontrarem-se em um período crítico e de rápido desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional, bebês (com até 2 anos de idade) podem sofrer sérios prejuízos se expostos a telas, especialmente por longos períodos, e que outras formas de interação tais como o brincar, a relação face a face com as pessoas cuidadoras e familiares e a exposição a músicas e livros devem sempre ser priorizadas nessa faixa etária.

Os estudos apontam, ainda, que mesmo após os 2 anos de idade, atividades que estimulam o movimento e a socialização são preferíveis à exposição a telas

Em relação ao uso excessivo de telas por crianças e adolescentes, a literatura aponta que pode ser fator de risco para:

- Atrasos no desenvolvimento da fala na primeira infância;

- Atrasos no desenvolvimento cognitivo na primeira infância

- Sedentarismo e obesidade;

Há ainda diversas pesquisas que indicam uma série de impactos negativos sobre o desenvolvimento da capacidade de raciocínio e de socialização. Estudos neurocientíficos têm comprovado que a atenção é um dos pilares de qualquer processo de aprendizagem. A habilidade de selecionar informações relevantes e ignorar as irrelevantes, permitindo a concentração, é essencial para o processo pedagógico.

Porém, muitos aplicativos e dispositivos digitais levam a um estado de “multitarefa”, ou seja, temos que escolher rapidamente entre vários estímulos que se apresentam. O hábito de navegação constante e ininterrupta acaba por enfraquecer a capacidade de manter o foco em uma área específica de estudo por um período mais prolongado, o que pode colaborar para um maior nível de distração. No caso de crianças e adolescentes, isso pode prejudicar sua capacidade de aprendizado e até o desenvolvimento cognitivo e social, tanto em ambientes escolares quanto fora deles.

Alguns estudiosos chegam a sugerir que as novas gerações, criadas em um mundo digital, teriam problemas generalizados no desenvolvimento da linguagem, de resolução de problemas e nas competências para socialização.

E qual a recomendação ao tempo de uso de tela?

Até 2 anos

- Evitar exposição às telas.

- Exceção para videochamadas com familiares, sempre com supervisão.

De 2 a 5 anos

- Limitar a no máximo 1 hora por dia.

- Sempre com supervisão dos pais ou responsáveis.

- Priorizar conteúdos educativos e apropriados para a idade.

De 6 a 10 anos

- Entre 1 e 2 horas por dia.

- Incentivar brincadeiras, esportes e atividades ao ar livre.

De 11 a 17 anos

- Limitar a 2 a 3 horas por dia de entretenimento digital.

- Evitar o uso excessivo, especialmente durante a noite.

Quando não puder evitar qual os cuidados importantes para a saúde dos olhos

- Fazer pausas frequentes durante o uso das telas.

- Manter o dispositivo a uma distância aproximada de um braço.

- Ajustar brilho e contraste para maior conforto visual.

- Estimular a criança a piscar mais durante o uso dos dispositivos.

- Priorizar atividades ao ar livre. A exposição à luz natural por cerca de 11 a 14 horas semanais parece exercer efeito protetor contra o desenvolvimento da miopia.

"O maior problema não é a existência das telas, mas quando elas substituem as brincadeiras ao ar livre, a atividade física, o sono adequado e a convivência familiar." Afinal, a evolução passou milhões de anos preparando os olhos das crianças para explorar o mundo. Em poucas décadas, nós as convencemos de que esse mundo cabe dentro de um retângulo luminoso de 6 polegadas.

*Informações retiradas do documento: Crianças, Adolescentes e Telas Guia sobre Usos de Dispositivos Digitais. (https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/uso-de-telas-por-criancas-e-adolescentes/guia/guia-de-telas-acessibilidade.txt/view?utm_source=chatgpt.com)

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