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Opinião

Cresce o uso dos biocombustíveis no planeta

E no Brasil, por que não evolui?

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Roberto Ferron
Por Engº. Florestal Roberto M. Ferron – Consultor Florestal/Ambiental
Foto Roberto M. Ferron

Basicamente, temos os biocombustíveis derivados de plantas oleaginosas e de plantas amiláceas, respectivamente aquelas que produzem óleos e amido, de onde se produzem o biodiesel e o etanol.

O crescimento das fontes alternativas aos derivados de petróleo tem aumentado razoavelmente na última década. Mas depende muito da disponibilidade de terras para o cultivo dessas plantas e da vontade dos governos de fazer a transição energética, pensando na descarbonização do planeta. Contudo, há muitos outros entraves nesse jogo, como o poderio da indústria petrolífera e toda a cadeia produtiva construída em torno dessa fonte de energia.

A Indonésia emitiu um regulamento para implementar seu mandato de biodiesel B50 a partir de 1º de julho, com um período de transição de três meses para que os varejistas esgotem seus estoques atuais, informou, nesta quinta-feira, uma autoridade de alto escalão do Ministério da Energia.

O lançamento do programa B50, em 1º de julho, significa que todo o diesel vendido no país deverá conter 50% de diesel à base de óleo de palma e 50% de diesel convencional.

O programa é uma resposta às interrupções no abastecimento de petróleo que se seguiram aos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. A política B40, atualmente em vigor, estipula que o combustível deve conter 40% de diesel à base de óleo de palma. Informações da Reuters, de 25/06/26.

Em outros países, a mistura está na seguinte proporção: a) na Argentina, é de 5% de biodiesel de soja; b) na Colômbia, é de 10%; c) nos EUA e no Canadá, a mistura é de 3% a 4%, equivalente. Vários estados, como Califórnia, Oregon e Minnesota, têm B5 a B20 de forma sazonal; d) na Índia, a mistura é de 0,5%, mas proposto B5% até 2030; e) na União Europeia, a maioria dos países fica em 7% a mistura.

O Brasil é o mais agressivo hoje em termos de mistura. Nenhum país grande tem 15% de biodiesel obrigatório no diesel comum. O B15 brasileiro é recorde mundial para diesel rodoviário. Mas, em março era para ir ao B16.

E com relação ao etanol, temos a Índia como grande destaque, pois a expansão do biocombustível no país mais populoso do mundo reforça tendência global de substituição dos combustíveis fósseis e pode beneficiar produtores brasileiros. Ele já alcançou a mistura de 20% de etanol na gasolina (E20) em um período relativamente curto e agora inicia uma nova fase, voltada ao uso de combustíveis com alta concentração do biocombustível. O programa inclui a expansão de veículos compatíveis com o E85, como automóveis, motocicletas e os tradicionais "tuk-tuks" utilizados em larga escala no país.

O lançamento do combustível E85 pela Índia, composto por 85% de etanol e 15% de gasolina, representa mais do que uma nova etapa da política energética do país asiático. Para o Brasil, um dos maiores produtores mundiais de etanol e líder global nas exportações de açúcar, a iniciativa pode abrir novas oportunidades comerciais e reforçar uma tendência que vem ganhando força no mercado internacional: a busca por maior independência energética por meio dos biocombustíveis. Embora o anúncio não seja mais novidade, especialistas avaliam que os desdobramentos do programa indiano merecem atenção. A Índia é atualmente o país mais populoso do mundo, possui uma frota crescente de veículos e depende fortemente das importações de combustíveis fósseis. Ao ampliar o consumo doméstico de etanol, o país pode alterar o equilíbrio dos mercados globais de energia e de açúcar.

O CEO da SCA Brasil, Martinho Ono, destaca que “o movimento indiano pode gerar reflexos importantes para o setor sucroenergético brasileiro. A Índia é um grande produtor de açúcar. Na medida em que ela começa a utilizar mais cana para a produção de etanol, acaba reduzindo a pressão de oferta sobre o mercado internacional de açúcar. Esse é um dos primeiros benefícios potenciais para o Brasil. Historicamente, quando a Índia registra excedentes de açúcar, o país amplia suas exportações e exerce forte influência sobre os preços internacionais. Com mais matéria-prima direcionada para a produção de etanol, o volume disponível para exportação tende a diminuir. Eu acho que o açúcar fica com um balanço de equilíbrio maior. O Brasil é o maior produtor mundial e tem influência direta na formação dos preços. O fato de um concorrente desse porte deixar de colocar tanto açúcar no mercado ajuda nesse equilíbrio.

Em março éramos para chegar ao B16 e E32. Por que travou com toda esta crise do petróleo?

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