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Saúde

Risco cardiovascular do tabagismo pode durar décadas mesmo após cessação

Estudo mostra que ex-fumantes podem levar até 25 anos para atingir risco semelhante ao de não fumantes

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Estudo com 5,4 milhões de pessoas mostra que o tabagismo aumenta de forma progressiva o risco de inf
Por Assessoria de Comunicação
Foto Divulgação

A medicina associa há décadas o tabagismo ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC e insuficiência cardíaca, com maior frequência entre fumantes de início precoce e uso prolongado. Entre adultos jovens (34 a 44 anos), parte relevante das mortes por infarto está ligada ao cigarro, proporção que cresce com a idade e a exposição acumulada.

Parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para reduzir esse risco, embora ainda haja incertezas sobre o tempo necessário para que o organismo retorne a níveis de risco semelhantes aos de não fumantes e se essa recuperação ocorre de forma igual entre indivíduos com diferentes históricos de exposição ao tabaco.

O estudo sul-coreano e a base de dados populacional

Em novembro de 2024, um estudo publicado no Journal of the American Medical Association analisou dados do Korean National Health Insurance Service Database, com 5,4 milhões de participantes acompanhados entre 2006 e 2019 e reavaliações bienais.

A amostra foi dividida em fumantes atuais, ex-fumantes e nunca fumantes, com os ex-fumantes estratificados por tempo de abstinência e carga tabágica (maços-ano, que quantifica o consumo ao longo da vida; um maço-ano equivale a 20 cigarros diários por um ano).

Após exclusões, o estudo analisou 853 mil fumantes atuais, 104 mil ex-fumantes e 4,4 milhões de não fumantes. No período, foram registrados cerca de 278 mil óbitos por causas cardiovasculares.

Relação entre carga tabágica e mortalidade

Os dados indicam associação direta entre maços-ano e risco de morte cardiovascular: quanto maior a exposição ao tabaco, maior a probabilidade de infarto e AVC. A mediana foi de 10,5 maços-ano entre ex-fumantes e 14 entre fumantes atuais.

Em relação aos nunca fumantes, ex-fumantes tiveram cerca de 50% mais mortalidade cardiovascular, enquanto fumantes ativos quase dobraram o risco. A análise mostra relação progressiva e quase linear entre consumo acumulado e desfechos cardiovasculares.

Tempo de recuperação do risco após parar de fumar

O estudo avaliou o tempo de redução do risco após a cessação do tabagismo. Em ex-fumantes com menos de oito maços-ano, o risco se aproximou ao de não fumantes após cerca de dez anos sem fumar. Já entre aqueles com mais de oito maços-ano, essa equivalência só foi observada após aproximadamente 25 anos de abstinência, indicando recuperação mais lenta.

Entre fumantes ativos, sobretudo os de maior consumo, o risco aumentou nos primeiros anos, estabilizou temporariamente e voltou a crescer com a exposição prolongada.

Implicações clínicas e visão de longo prazo

Os resultados sugerem que a ideia anteriormente difundida de recuperação rápida do risco cardiovascular após poucos anos de abstinência pode ser otimista demais. Estudos mais recentes indicam que os efeitos do tabaco persistem por períodos prolongados, com impacto duradouro sobre o sistema cardiovascular e também sobre o risco de neoplasias.

Na prática clínica, não é incomum observar diagnósticos de câncer de pulmão e outras doenças décadas após a cessação do tabagismo, especialmente em indivíduos com histórico intenso de consumo. Esse cenário reforça a necessidade de acompanhamento contínuo dos ex-fumantes, sobretudo daqueles com elevada carga tabágica.

Cardiologistas e profissionais de saúde devem considerar não apenas o estado atual de tabagismo, mas também a exposição acumulada ao longo da vida, já que esse histórico influencia de forma significativa o risco cardiovascular residual mesmo após a interrupção do hábito.

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