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Expressão Plural

O que faltou dizer sobre as Copas (parte 1)

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Semana passada, escrevi o último dos 22 textos sobre a história das Copas do Mundo, encerrando uma viagem de 92 anos por cada edição do torneio. Porém, nem tudo coube nesse espaço e deixei de fora muitas situações. Portanto, começo a trazer a partir deste primeiro texto o que faltou dizer sobre os Mundiais, em pequenas curiosidades. Hoje é a vez de 1930, 1934 e 1938.

O primeiro gol: em 13 de julho de 1930, o atacante francês Lucien Laurent entrou para a história ao marcar o primeiro gol da história das Copas do Mundo, na partida entre França e México, válida pela edição inaugural no Uruguai. O funcionário da fábrica da Peugeot abriu a vitória francesa por 4 a 1.

A bola da primeira final: a decisão de 1930 entre Uruguai e Argentina teve uma disputa antes mesmo do início. Cada seleção queria jogar com a sua própria bola, já que os modelos eram diferentes e influenciavam o estilo de jogo. Sem acordo, decidiu-se que o primeiro tempo seria disputado com a bola argentina, menor e mais leve, e o segundo com a uruguaia, maior e mais pesada. Após sair perdendo por 2 a 1 na primeira etapa, o Uruguai virou para 4 a 2 na segunda e conquistou o título.

Campeão sem a mão: o uruguaio Héctor Castro foi um dos titulares da seleção campeã em 1930. O atacante era conhecido como “El Manco”, porque havia perdido a mão direita ainda na infância, em um acidente com uma motosserra, mas superou a limitação para atuar em alto nível, inclusive anotando um gol na decisão contra a Argentina.

Árbitro e técnico: o boliviano Ulises Saucedo exerceu duas funções na Copa de 1930. Além de ser o técnico da Bolívia nas duas partidas do país no torneio, ele apitou o confronto entre Argentina e México na fase de grupos, com vitória argentina por 6 a 3. 

A seleção que perdeu o navio: o Egito foi o 14º time que confirmou presença na Copa de 1930, o que colocaria a África na primeira edição da história. Mas a delegação acabou de fora porque perdeu o navio que a levaria ao Uruguai. Uma tempestade no Mar Mediterrâneo atrasou a chegada egípcia a Marselha, local do embarque. Sem tempo para uma nova travessia, a equipe desistiu.

A excursão brasileira: eliminado logo na estreia da Copa do Mundo de 1934, ao perder por 3 a 1 para a Espanha no formato de mata-mata direto, o Brasil transformou a viagem à Itália em uma excursão pela Europa. Para não perder a viagem até o continente, a seleção realizou oito amistosos contra clubes de Iugoslávia, Espanha e Portugal, vencendo dois, empatando quatro e perdendo dois.

O primeiro brasileiro campeão: em 1934, o brasileiro Anfilogino Guarisi, conhecido como Filó, entrou para a história ao se tornar o primeiro jogador nascido no Brasil a conquistar uma Copa do Mundo. Natural de São Paulo, ele se naturalizou italiano e integrou a seleção da Itália campeã naquele ano, sendo titular na goleada por 7 a 1 sobre os Estados Unidos, na estreia.

Nas ondas do rádio: a Copa do Mundo de 1938 foi a primeira transmitida ao vivo pelo rádio no Brasil. O pioneiro foi o narrador Gagliano Neto, que transmitia os jogos diretamente da França por telefone, conectado ao estúdio da Rádio Clube no Rio de Janeiro por cabos submarinos. Alto-falantes foram instalados em praças pelas capitais brasileiras para que o máximo possível de pessoas pudesse ouvir.

O gol descalço: o brasileiro Leônidas da Silva protagonizou uma das cenas mais curiosas da Copa de 1938 ao marcar um gol descalço na vitória por 6 a 5 sobre a Polônia, na estreia. Durante a partida, disputada sob forte chuva, uma de suas chuteiras abriu e ele seguiu no lance sem ela, finalizando para a rede. O gol acabou validado pelo árbitro porque a lama camuflou a falta do calçado.

O espaço de hoje terminou. Semana que vem, a parte dois.

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