Com a chegada das temperaturas mais baixas, cresce também a incidência de doenças respiratórias, refletindo diretamente na demanda por atendimentos no pronto-socorro da Fundação Hospitalar Santa Terezinha. Em entrevista ao Jornal e TV Bom Dia nesta quarta-feira (03), o diretor executivo da instituição, Rafael Martins Ayub, destacou que houve um aumento significativo no fluxo de pacientes em busca de atendimento nas últimas semanas.
Apesar da maior movimentação registrada na unidade, o diretor ressaltou que a situação permanece sob controle e que o número de internações segue baixo. Ainda assim, reforçou a importância das medidas preventivas, especialmente entre os grupos mais vulneráveis, e alertou para a necessidade de manter a vacinação em dia como forma de reduzir os riscos de complicações.
Este cenário acaba sendo presente em várias regiões do estado e por conta disso, medidas vêm sendo tomadas para garantir que não falte atendimento. “Uma nota emergencial em saúde pública foi emitida, quase no início do mês de maio, justamente visualizando o inverno intenso e o aumento dos casos de síndrome respiratória e isso já acendeu um alerta aos hospitais. Nós conseguimos cadastrar dez leitos de UTI adulto e dez leitos pediátricos a mais para esses casos, dando uma retaguarda pro estado”, disse Rafael.
Segundo ele, embora a procura por atendimento tenha aumentado, poucos são os casos em que necessite de internação. Os sintomas em geral são semelhantes e o tratamento é sempre o mesmo. No entanto, a quantidade de demanda pode ser uma preocupação para o hospital. “Isso faz com que as pessoas procurem muito o pronto socorro em horários em que as UBS (Unidades Básicas de Saúde) não estão abertas. Então fazemos todo um trabalho conjunto de divulgação, para informar a comunidade a procurar uma unidade básica quando ainda forem sintomas simples. Tem alguns mais grave como: falta de ar e dor de cabeça mais acentuada que não alivia nem mesmo com medicação. Esses casos tem realmente que procurar a urgência”, revelou.
Pessoas que tem mais idade ou que estão em vulnerabilidade, podem ter complicações, por isso é fundamental que procurem tomar a vacina da gripe. “Os grupos de risco, escolhidos para a imunização, são prioritariamente: crianças de cinco meses à seis anos, idosos e gestantes. Essas pessoas, caso venham a adquirir o vírus da gripe, terão sintomas mais fortes”, informou.
O diretor do hospital alertou que mesmo com algumas pessoas tendo ressalvas quanto a tomar ou não a vacina, ela é indispensável para evitar casos de maior gravidade. “Escutamos muito dizer que o vizinho tomou a vacina e quase morreu e ficou muito mal. É claro que existem reações a vacina, assim como acontecem reações também com medicações. Cada organismo reage de um jeito. Mas se a gente for levar em consideração que dez mil pessoas foram vacinadas e que desse universo, 100 tenham tido reações adversas, ainda é muito melhor o benefício do que o malefício. Essas pessoas que tem uma reação diferente a vacina, é porque provavelmente ou já tinham um vírus incubado, ou porque já tinham a imunidade um pouco mais baixa, por isso a importância de se manter saudável, em ambientes com janelas ventilando, agasalhos, para que possamos prevenir a gripe e assim não pressionar o sistema de saúde”.
Se faz necessário a compreensão de que por mais que exista demora na prestação do serviço, todos os pacientes serão atendidos. Atualmente, quatro pessoas estão internadas em virtude de complicações da gripe.
A conduta do hospital tem sido de não realizar o teste para atestar se é ou não influenza, em virtude de o tratamento de qualquer síndrome respiratória aguda ser sempre o mesmo. “Fazemos raio X de pulmão e exame de sangue para ver se há infecção, mas o teste especifico para saber se é H1N1, H2N3, é dispensado porque o tratamento é quase sempre o mesmo. Até para tranquilizar a população, muitos chegam com anseios de fazer o teste, e não é assim que procedemos. A clínica já é soberana para a definição do tratamento, então não é necessário o teste”, destacou Rafael.
Apesar do baixo número de internações registradas, Erechim já contabilizou um óbito neste período. A causa da morte não foi diretamente a gripe, mas a doença contribuiu para o agravamento do quadro clínico de um paciente que possuía comorbidades ou condições de saúde preexistentes. Por conta disso, Rafael salientou para a intensificação do cuidado. “Já registramos o óbito de um idoso, justamente por causa da gripe H1N1. E a discussão foi se ele morreu por isso, e não foi. É a sintomatologia que o vírus da gripe causa em uma pessoa já imunodeprimida. É claro que se a pessoa talvez não tivesse pegado a gripe ela ainda estaria entre nós. Evidente que a gripe agrava o quadro, por isso a importância da prevenção e da vacinação”, disse ele.