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Opinião

Divórcio

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Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

Tem sociedade que ainda divide o mesmo CNPJ ou endereço, mas, na prática, já deixou de dividir a mesma visão faz tempo.

Participam das mesmas reuniões, assinam os mesmos contratos, olham os mesmos números, mas já não enxergam o mesmo futuro.

Conversam sobre fluxo de caixa, operação, metas e problemas, mas não convergem mais sobre propósito, ambição e direção. E o mais lúcido é que isso raramente acontece de forma abrupta.

Vai acontecendo devagar. No silêncio. Na correria. Na pressão do dia a dia. Na ausência de alinhamento verdadeiro.

Até que um dia os sócios percebem que viraram apenas administradores da mesma estrutura e deixaram de ser construtores do mesmo sonho.

Muitas empresas não entram em crise por falta de mercado, produto ou competência. Entram em desgaste porque os sócios começam a caminhar emocional e estrategicamente em velocidades diferentes.

Um quer crescimento. O outro quer segurança.

Um quer reinvestir. O outro quer retirar.

Um pensa em legado. O outro pensa em saída.

E, quando a visão deixa de ser compartilhada, a convivência societária começa a sobreviver apenas pela obrigação.

Porque sociedade não termina apenas quando alguém vende sua parte. Às vezes, ela vai acabando nos detalhes.

Na falta de conversa franca. Na ausência de escuta. Nas decisões tomadas sem conexão. Na relação vivida mais pela formalidade do que pela confiança.

E, antes que alguém diga: “isso é normal depois de muitos anos…”

Não. Pode até ser comum, mas não significa que seja saudável.

Sociedades sólidas exigem construção contínua, alinhamento, presença, transparência e, principalmente, coragem para conversar sobre o futuro antes que o distanciamento vire ruptura.

E quem sofre: clientes, família e pessoas.

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