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Opinião

Memórias de viagem: Viagem Transiberiana de Trem: Rússia – Sibéria – Mongólia – China – (35

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Por Marlei Carmen Reginatto Klein - Membro da Academia Erechinense de Letras

A educação na China: a época dos estudos é a mais feliz da existência, mas, na China, as crianças já possuem muitos deveres. Desde os primeiros anos de vida, a família as faz compreender a importância dos estudos para vencer na vida. O sistema educacional é rigoroso e competitivo. São seis anos de escolaridade gratuita e obrigatória. Anteriormente, já comentei sobre o assunto. Os pequenos, nas escolas, pela manhã, em fila na entrada para as salas de aula, ouvem atentamente as ordens do dia dadas pelo diretor da escola. Depois do almoço, na escola, há um tempo para o soninho e, após, continuam com o estudo.

Escola chinesa: ela relembra os bons modos de cidadania e o respeito aos mais velhos, mas isto é tarefa da família, não da escola. A educação é somente focada na aprendizagem. Há muita pressão pelo bom desempenho dos estudantes. São realizadas, sempre, provas para verificação da aprendizagem. O Estado investe muito em equipamentos, principalmente de digitalização, nas salas de aula. Os professores são valorizados e possuem metas para bom desempenho. São realizadas provas, seguidamente, para verificar o seu trabalho. Isto é uma política de Estado. Há rotatividade entre os mestres. Os de bom desempenho são designados para as escolas de menor resultado.

Aprendizagem: o Ensino Fundamental é de seis anos, o Ensino Médio, do sétimo ao nono ano, e o Superior, em média, de três anos. Os cursos mais técnicos possuem um tempo maior. Como exemplo, a Medicina: a China moderna acompanha os avanços do Ocidente, o que é transmitido aos alunos. Hoje, o país tentou, em vão, abolir a medicina tradicional, comentada em artigo anterior. Mas, ainda hoje, os métodos antigos são ensinados em institutos especiais e praticados em alguns hospitais. Os médicos formados no sistema tradicional, porém, devem aprender os avanços modernos. Milhares de pessoas, principalmente no interior do país, procuram médicos tradicionais. Isso não acontece apenas por falta de alternativa, mas também porque sabem que os métodos antigos funcionam. Nas cidades, os médicos chineses tentam combinar as duas abordagens, mas há a oferta da medicina tradicional e da atual, ficando a escolha para o paciente.

Universidades públicas: o custo do ensino superior é compartilhado entre o Estado e a família. É a lógica do governo. Na China, existem cerca de três mil universidades. Na recente publicação sobre o desempenho do ensino superior mundial, em 2025, o país obteve destaque em 50 universidades, sendo cinco delas entre as melhores do mundo. Os alunos que se destacam no Ensino Médio são indicados para as melhores universidades da China ou para o ensino no exterior. No Reino Unido, o Estado possui acomodações para a formação deles. O ensino do inglês é obrigatório em todas as etapas da aprendizagem. Essa língua é sempre obrigatória em qualquer concurso a ser realizado.

China, seu crescimento vertiginoso: o país reconheceu que o lucro privado pode desempenhar um papel importante no melhor padrão de vida da população. Assim, os investimentos externos começaram a alavancar. As empresas privadas estabeleceram novos padrões de eficiência para o século atual. A nova classe de ricos empresários passou a desejar um estilo de vida semelhante ao do Ocidente. Do sul ao norte, a população começou a usar cartões de crédito para comprar cosméticos, máquinas de lavar, geladeiras, aparelhos de televisão gigantescos e outros produtos eletrônicos. O seu crescimento vertiginoso acarreta preocupações globais. A competitividade de seus produtos ameaça mercados locais mundo afora. Os impactos ambientais e sociais gerados pelo aumento do consumo de uma massa de centenas de milhões de indivíduos vêm deixando em alerta a comunidade econômica internacional.

Pequim rumo à modernidade: a capital saiu à frente com a nova tecnologia de carros elétricos. Possui muitas marcas exportáveis em tecnologia, qualidade, praticidade e beleza. Nelas, operários muito bem treinados são oriundos de cursos altamente tecnológicos. Jovens formados em computação disputam as vagas no mercado de trabalho. Muitas fábricas têxteis e de brinquedos vêm dando lugar a empresas de alta tecnologia que atraem profissionais graduados de todo o país. A China pratica a política do multilateralismo — relações internacionais baseadas na cooperação —, é presença constante nas reuniões da ONU e não gasta em guerras ou conflitos.

Visão de futuro chinesa: há um grande estímulo para assumir a tecnologia de ponta na indústria de diferentes áreas de atuação. Parcerias entre empresas e universidades investem no financiamento de pesquisas em ciência, especialmente na robótica e na realidade virtual. Bancos de investimentos fornecem fundos para pequenas empresas que têm boas ideias para a atualidade. Os jovens empresários apoiados são estimulados, pois deles dependerá o futuro econômico chinês.

Conclusão: os bons trabalhadores recebem muito bons salários. Há certo tempo, em viagens pela Europa, tenho observado o comportamento da classe média chinesa. Hospedam-se em bons hotéis, e as mulheres fazem compras nas lojas de grife — embora muita dessa moda seja produzida no seu país. Mas andar com uma sacola luxuosa pelas ruas, ostentando o nome de um costureiro ou marca internacional, é o sonho de consumo de todos: homens e mulheres. Afinal, seguir pela Via Montenapoleone e suas imediações, em Milão — Itália —, é a maior prova de sofisticação do planeta. É o local sempre indicado para se obter conhecimento sobre o luxo e as novidades do mercado — o grande desejo da maioria dos que viajam ao exterior.

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