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Erechim

As primeiras famílias que chegaram em Erechim e o processo de colonização

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Por Redação
Foto Arquivo Histórico Juarez Miguel Illa Font

Erechim completa 108 anos de emancipação política administrativa, nesta quinta-feira, 30 de abril, e para comemorar esta data tão especial, vamos apresentar um apanhado historiográfico acerca de como tudo começou, através de pesquisa do Coordenador do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, Henrique Trizotto.

 

Colônias velhas e países da Europa

O município foi galgado a partir de um processo de colonização orquestrado pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul baseado na migração e imigração de grupos populacionais oriundos das Colônias Velhas e de alguns países da Europa a partir do final do século XIX.

 

Reorganização geral da economia brasileira

As equipes de agrimensores do governo da Província do Rio Grande do Sul que geriam os processos de medição e venda das terras devolutas da região buscavam paralelamente aos objetivos de povoamento e de defesa do território, “adequar as províncias à reorganização geral da economia brasileira, que se conduzia pelas novas diretrizes do capitalismo internacional” (KLIEMAN, p.18). Participaram também empresas colonizadoras particulares (ICA e Luce & Rosa – principalmente).

 

Diminuição da posse desordenada e aumento de produtividade

Neste cenário, os objetivos básicos dessa política imigratória perpassam pela criação de “mão-de-obra livre nas áreas de produção para exportação e um mercado interno consumidor, além de povoar estrategicamente as regiões periféricas do território, com o intuito de diminuir a posse desordenada e aumentar a produtividade do solo” (KLIEMAN, p.118). Concomitante a esse processo, temos “um projeto de construção de um ramal férreo que, partindo de Cruz Alta, atravessaria a floresta a 50 quilômetros das margens do Rio Uruguai” (BERNARDES, 1997. p. 77).

 

Ramal ferroviário

Devido a construção do Ramal Ferroviário, “o povoamento do Alto Uruguai aconteceu em ritmo acelerado. Foi traçado um esquema muito simples para a expansão do povoamento nas matas uruguaias, o qual abrangia as terras que ficavam às margens do Rio Uruguai” (BERNARDES, 1997. p. 77). A proposta de Carlos Torres Gonçalves Diretor de Terras e Colonização consistia na instalação de “três núcleos que concentravam a administração das terras públicas, os quais ficaram assim estabelecidos: o primeiro abrangia as terras do Município de Erechim, seguindo na direção norte até a divisa com Santa Catarina” (BERNARDES, 1997. p. 77).

 

32 mil habitantes em 8 anos

Pellanda (1925, p.189), ao falar na Colônia Erechim, assim se expressa “O principal núcleo colonial da região serrana é incontestavelmente este, criado em 6 de Outubro de 1908, pelo Estado, e instalado em 1910 com os primeiros 36 colonos, sendo 4 famílias com 28 pessoas e 8 solteiros”. Ele ressalta o crescimento e desenvolvimento da Colônia ao afirmar que “não tem ponto de comparação dentro ou fora de nosso Estado, posto que apenas em 8 anos a sua população aumentou cerca de 32 mil habitantes e a produção, que era nenhuma, se elevou no mesmo espaço de tempo a 3.600:000$000, dos quais foram exportados 2.574:000$000” (PELLANDA,1925, p.189).

 

Vários nomes

Ao longo de seu desenvolvimento, a cidade trocou de nome: Paiol Grande, Boa Vista, Boa Vista do Erechim, José Bonifácio e por fim Erechim…, lar de mais de 20 etnias que com sua diversidade cultural construíram uma cidade plural, próspera, polo cultural, acadêmico, industrial e comercial do Alto Uruguai gaúcho e referência no Rio Grande do Sul.  

 

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