Celebrado no mês passado, em 22 de março, o Dia Mundial da Água é um dos principais marcos internacionais voltados à conscientização sobre a importância dos recursos hídricos. Instituído pela Organização das Nações Unidas em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, no Rio de Janeiro, o objetivo da data é promover a reflexão e incentivar ações concretas para garantir o acesso à água de qualidade para as atuais e futuras gerações.
A cada ano, a data é pautada por um tema central, abordando desafios como escassez hídrica, saneamento básico, poluição, mudanças climáticas e acesso desigual à água potável. O foco global reflete uma realidade preocupante: bilhões de pessoas no mundo ainda não têm acesso seguro à água tratada, segundo dados de organismos internacionais.
No Brasil, apesar da posição privilegiada no cenário hídrico mundial, os desafios são expressivos. O país concentra cerca de 12% da água doce superficial do planeta, conforme dados da Agência Nacional de Águas, mas enfrenta problemas estruturais como desperdício, distribuição desigual e perdas nos sistemas de abastecimento. Estimativas apontam que aproximadamente 40% da água tratada é perdida antes de chegar ao consumidor final, evidenciando a necessidade de investimentos em infraestrutura e eficiência operacional.
O cenário também exige atenção no âmbito estadual. No Rio Grande do Sul, a gestão dos recursos hídricos tem se tornado cada vez mais desafiadora diante de eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e chuvas intensas. Essas variações impactam diretamente o abastecimento urbano, a produção agrícola e a sustentabilidade econômica de diversas regiões.
Em municípios do norte gaúcho, como Erechim, o tema da água está diretamente ligado ao cotidiano da população. A preservação de nascentes, o cuidado com rios e a utilização consciente da água tratada são fatores essenciais para garantir segurança hídrica e qualidade de vida. Ações locais, como campanhas educativas, projetos de recuperação ambiental e incentivo à redução do consumo, vêm ganhando força e mostram que o envolvimento da comunidade é fundamental.
Nesse contexto, instituições públicas e privadas exercem papel estratégico na gestão e distribuição da água. A Corsan tem atuado na ampliação do acesso ao saneamento básico, no tratamento de água e na conscientização da população sobre o uso responsável. Investimentos em tecnologia e infraestrutura também são essenciais para reduzir perdas e garantir eficiência no sistema.
Além das ações estruturais, o Dia Mundial da Água reforça a importância das atitudes individuais. Pequenas mudanças no dia a dia podem gerar impactos significativos quando adotadas coletivamente.
Entre as principais práticas recomendadas, estão evitar desperdícios em atividades domésticas, reduzir o tempo de banho, reutilizar água sempre que possível, corrigir vazamentos e descartar resíduos corretamente, evitando a contaminação de rios e mananciais
Outro aspecto fundamental é a educação ambiental. Promover o conhecimento sobre o ciclo da água, sua importância e os riscos associados ao uso inadequado é essencial para formar cidadãos mais conscientes e comprometidos com a preservação dos recursos naturais.
Em um cenário global marcado por crescentes desafios ambientais e pressão sobre os recursos hídricos, o Dia Mundial da Água se consolida como um momento de reflexão e mobilização. Mais do que uma data simbólica, representa um convite à ação — reforçando que garantir água de qualidade para todos depende de escolhas feitas diariamente por governos, instituições e pela sociedade.
Para regiões como o norte do Rio Grande do Sul, onde a água é um elemento central para o desenvolvimento e a qualidade de vida, o compromisso com a sustentabilidade hídrica deve ser permanente. Afinal, preservar a água é preservar a vida.
Proteção de nascentes e mananciais
Diversos municípios do Alto Uruguai desenvolvem ações de cercamento de nascentes, recomposição de mata ciliar e orientação a produtores rurais. Essas iniciativas são fundamentais para manter a qualidade da água, evitar assoreamento de rios e garantir abastecimento no longo prazo. Em muitos casos, essas ações ocorrem com apoio de comitês de bacia e órgãos ambientais estaduais.
Educação ambiental nas escolas
Programas educativos têm sido um dos pilares na região, palestras sobre uso consciente da água, projetos interdisciplinares em escolas e visitas técnicas a estações de tratamento. A Corsan, por exemplo, atua com campanhas voltadas à conscientização, mostrando o caminho da água até a torneira e a importância de evitar desperdícios.
Gestão e monitoramento dos recursos hídricos
A região está inserida em sistemas de gestão por bacias hidrográficas, com destaque para o Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai. Esse tipo de estrutura permite planejamento do uso da água, monitoramento da qualidade e definição de prioridades em períodos de escassez.
Campanhas de consumo consciente
Especialmente em períodos de estiagem, são comuns campanhas locais incentivando a redução do consumo, o uso racional em residências e empresas e o reaproveitamento de água.
Programa estruturado em Erechim
Programa Municipal de Conservação de Recursos Hídricos (PSA), implementado pela Prefeitura de Erechim, esse é hoje o principal programa local voltado à água.
Na prática ele protege nascentes e mananciais, incentiva a recuperação de áreas degradadas, reduz erosão e assoreamento de rios e promove o aumento de vegetação em margens de rios.
Um diferencial importante: produtores rurais recebem incentivo financeiro por preservar o meio ambiente, ou seja, não é só conscientização, é política pública com incentivo direto.
Segundo a prefeitura, o programa já está consolidado e em expansão, atua diretamente na conservação da água e do solo e envolve propriedades rurais com ações personalizadas.
Acesso à água no interior
Outra frente importante em Erechim são os Projetos de abastecimento rural, construção de poços artesianos, ampliação do acesso à água potável e parceria com programas estaduais como o “Mais Água/RS”, projeto para atender cerca de 120 famílias na zona rural com novo poço.