O hábito da leitura pode nascer dentro de casa e crescer junto com o apoio da família. Em Erechim, a trajetória do estudante Leonardo Fonseca Czervinski, de nove anos, mostra como o incentivo desde a infância pode despertar o interesse pelos livros e refletir no desenvolvimento dentro e fora da escola. Aluno da Escola Básica da URI Erechim, ele já ultrapassou a marca de 140 obras lidas e aprendeu a ler aos cinco anos.
Mesmo sem lembrar exatamente o primeiro livro, Leonardo teve contato com histórias ainda muito cedo e aprendeu a ler aos cinco anos. Os pais recordam que títulos sobre dinossauros, com ilustrações e texturas, despertaram a curiosidade inicial. Um momento simples marcou a memória da família. “A primeira palavra que ele leu sozinho foi ‘rabisco’, numa parede no centro da cidade. Nós ficamos emocionados”, relembrou o pai, Evandro Czervinski.
Construção do hábito
O estímulo começou ainda na primeira infância, com momentos compartilhados entre pais e filho. “Desde pequeno nós líamos para ele, mesmo quando ele não entendia. Era um momento em família”, contou a mãe, Josiele Fonseca Czervinski.
A decisão de inserir Leonardo no Kumon, aos dois anos e meio, também fez parte desse processo. “Não foi com o objetivo de alfabetizar, e sim de disciplina. Ele era bem agitado”, explicou Evandro. O início exigiu adaptação. “No começo foi difícil, ele chorava, não queria ficar, mas depois foi se acostumando”, lembrou Josiele.
Com o tempo, o contato frequente com livros deixou de ser apenas um estímulo e passou a fazer parte da rotina.
Leitura no dia a dia escolar
O avanço na aprendizagem acompanhou o interesse pelos livros. “Português eu faço no nível do sexto ano e matemática mais ou menos no quarto”, relatou Leonardo.
Na escola, o hábito também ganhou espaço. “Conversamos com a professora para ele levar livros e ler nos momentos livres”, disse Josiele. A leitura passou a preencher intervalos e momentos em que ele já havia concluído as atividades.
Histórias que acompanham a infância
Entre as leituras preferidas estão mangás, livros de ação e títulos indicados pela escola. Na lista aparecem coleções como “Diário do Ninja”, “Diário do Hulk”, “Encantador de Livros”, além do mangá “Jujutsu Kaisen” e do livro “A decisão do campeonato”, que aborda o universo do futebol.
O interesse vai além da leitura individual e se estende ao convívio com os colegas. “Eles trocam livros entre eles, comentam as histórias, isso o motiva ainda mais”, relatou Josiele. O próprio Leonardo também incentiva amigos. “Eu indiquei o Kumon para alguns amigos. Um deles começou”, disse.
Rotina equilibrada
Mesmo com a quantidade de livros, a leitura não ocupa todo o tempo do estudante. Ele concilia o hábito com diversas atividades, como futebol, natação, inglês, mini-tênis e judô.
A organização é apontada como essencial para manter esse equilíbrio. “Dá tempo, mas tem que ser organizado”, afirmou Leonardo. Para o pai, o cuidado está em não sobrecarregar. “Nós tentamos equilibrar para ele não ficar sobrecarregado, mas também não deixar de ser criança”.
A família acompanha de perto o progresso. “Nós anotamos todos os livros que ele lê”, contou a mãe. Só neste ano, Leonardo já soma mais de 40 leituras.
O uso de telas também faz parte da rotina, mas com limites definidos. “Nós não proibimos totalmente, mas limitamos”, explicou Evandro. Os combinados ajudam a manter o equilíbrio. “Se não cumpre, fica sem tela”, afirmou Josiele.
Nesse contexto, os livros surgem como alternativa e complemento. “Foi uma forma de equilibrar”, disse o pai.
Conhecimento e imaginação
O interesse pela leitura se intensificou por volta dos seis ou sete anos, durante uma feira do livro. “Foi quando eu comprei meus primeiros mangás e comecei a ler mais”, relembrou Leonardo.
Para ele, os livros representam aprendizado. “Eles me dão mais conhecimento sobre o mundo”, afirmou.
A leitura rápida também chama atenção da família. “Ele lê muito com os olhos, bem rápido”, comentou Josiele.
Um incentivo que faz diferença
Entre aventuras, quadrinhos e histórias de esportes — incluindo biografias de atletas como Cristiano Ronaldo e Vinícius Júnior — Leonardo constrói, página por página, um repertório que vai além da idade.
Para os pais, o maior desafio é acompanhar as mudanças do mundo atual. “Hoje é equilibrar leitura e tecnologia”, avaliou Josiele. Evandro também observa o impacto do ambiente digital. “O mundo é muito voltado para isso”.
Ainda assim, a família acredita que o exemplo e o incentivo diário fazem diferença. “A leitura ajuda na fala, na imaginação e na criatividade”, concluíram.