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Ensino

UFFS e ÚNICA promovem intercâmbio com cooperativas do Norte do RS e fortalecem parcerias para a transição agroalimentar

Encontro reuniu lideranças indígenas, agricultores familiares, gestores públicos e especialistas para discutir caminhos de fortalecimento da agroecologia e do cooperativismo no Norte do Rio Grande do Sul

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Registro da visita do grupo à Cooperativa Nossa Terra, em Erechim.jpg
Por Assessoria UFFS Campus Erechim
Foto Divulgação

Dando continuidade à parceria entre a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) e a União Nacional Indígena das Comunidades Ameríndias (ÚNICA), um intercâmbio técnico reuniu lideranças indígenas, agricultores familiares, gestores públicos e especialistas para discutir caminhos de fortalecimento da agroecologia e do cooperativismo no Norte do Rio Grande do Sul. A atividade conectou saberes tradicionais, suporte acadêmico e experiências consolidadas de mercado, com foco na certificação agroecológica, produção orgânica, apicultura e acesso a canais de comercialização.

O encontro contou com a participação de lideranças Kaingang do território Serrinha, agricultores familiares, representantes da Prefeitura de Três Palmeiras — entre eles o vice-prefeito Roberto de Luz — e técnicos da Emater. A programação percorreu os municípios de Três Arroios e Erechim, promovendo uma imersão em modelos de sucesso voltados à agricultura familiar e aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs).

A iniciativa integra as ações do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar (Alimento no Prato – PLANAB/RS – MDA/UFFS), coordenado no Estado pelos docentes da UFFS, Valdecir José Zonin e Márcio Freitas Eduardo, com a colaboração de Matheus Fernando Mohr. O plano articula pesquisa e extensão para apoiar feiras regionais e estaduais e aproximar a universidade das realidades socioeconômicas do campo.

A programação iniciou na Associação Regional de Cooperação e Agroecologia – Ecoterra, em Três Arroios. No local, o grupo conheceu o funcionamento do Circuito Brasil de Produtores Agroecológicos, desde a organização produtiva até aspectos técnicos de manejo e as exigências burocráticas e logísticas da certificação e dos mercados de orgânicos.

Para as lideranças da Terra Indígena Serrinha, a visita foi estratégica. Segundo os organizadores, compreender a dinâmica da agroecologia e dos mercados de produtos ecológicos é fundamental para que a produção indígena se consolide de forma sustentável. Representantes da ÚNICA e da comunidade destacaram que o principal desafio é acessar canais de comercialização diferenciados, capazes de gerar renda justa e solidária às famílias, mantendo o respeito à natureza e às tradições culturais.

Na avaliação do professor Valdecir Zonin, o PLANAB/RS cumpre um papel estratégico ao integrar pesquisa e extensão e promover transições seguras nos sistemas produtivos. “O conhecimento científico só faz sentido quando transforma, para melhor, a vida das pessoas”, afirma. Para ele, a mudança passa por três eixos: aumento de renda, sustentabilidade ambiental e respeito às culturas e tradições.

A comitiva também visitou a Cooperativa Nossa Terra, em Erechim, com destaque para o setor de apicultura — um dos pilares do plano de ação UFFS/ÚNICA. A visita técnica apresentou os processos de qualidade que posicionam o mel regional em padrões internacionais, atendendo do consumo local à exportação. Para os territórios indígenas, com amplas áreas de preservação e flora nativa, a apicultura desponta como alternativa promissora de geração de renda em harmonia com a floresta.

O intercâmbio evidenciou que a soberania alimentar indígena no Norte do RS está diretamente ligada à organização coletiva. Ao articular conhecimento técnico, associativismo e cooperativismo com apoio institucional e acadêmico, cria-se um ambiente favorável para que o território Serrinha e a agricultura familiar de Três Palmeiras e região avancem como polo de produção sustentável e geração de renda.

Para o professor Márcio Freitas Eduardo, o objetivo é transformar o território Serrinha e a agricultura familiar regional em referências de produção sustentável, unindo preservação da biodiversidade, prosperidade econômica e maior autonomia produtiva.

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