21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Ensino

Gêmeos de Erechim celebram aprovações em Medicina e reforçam importância de persistência e autoconhecimento

Gabriel conquistou o primeiro lugar na UFSC e na UFFS; Gustavo garantiu a 4ª colocação na UFPR após mudar de curso

teste
Gustavo e Gabriel Porcher.jpg
Por Gabriela de Freitas
Foto Arquivo pessoal

Os irmãos gêmeos Gabriel e Gustavo Porcher, de Erechim, somaram três aprovações no curso de Medicina em universidades federais do Sul do país. Gabriel, 19 anos, ficou em primeiro lugar na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e também foi aprovado na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Gustavo, conquistou a 4ª colocação na Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde já iniciou o curso.

A trajetória de dedicação começou ainda no Ensino Médio, na Escola Básica da URI. Segundo a coordenadora do Ensino Médio, professora Viviane Forcellini, os irmãos já demonstravam foco e comprometimento desde o primeiro ano.

“Percebemos que eram alunos diferenciados, muito interessados e atentos às oportunidades. O sucesso deles é resultado de um conjunto de fatores: apoio familiar, disciplina e rotina consistente de estudos. Eles sempre foram além do esperado”, afirma.

De acordo com a professora, o interesse pela área da saúde surgiu cedo. Ainda no primeiro ano do Ensino Médio, os dois foram aprovados como treineiros em Medicina na URI. “Isso reforça o quanto já estavam preparados e comprometidos com o objetivo”, destaca.

Mudanças de rota até a decisão definitiva

Antes de ingressar em Medicina, os dois chegaram a iniciar outros cursos na UFPR. Gabriel cursou Biologia em 2024, mas decidiu retornar ao plano original após perceber que buscava maior contato humano na profissão.

“Gostava muito do curso, participei de projetos e pesquisas, mas percebi que a atuação envolve muita análise de dados e um trabalho mais solitário. Eu queria lidar mais com pessoas”, relata.

Em 2025, ele trancou a graduação e retomou uma rotina intensa de estudos, com média de 10 horas diárias divididas em três turnos. “Durante o processo, a gente duvida da própria capacidade. Quando a aprovação chega, é uma vitória e um alívio. É a sensação de que todo o esforço valeu a pena.”

Apesar da dedicação, o resultado surpreendeu. “Nunca imaginei ficar em primeiro lugar em duas federais. Eu saía das provas achando que poderia ter ido melhor.”

Já Gustavo iniciou o curso de Direito na UFPR, o trabalho na área jurídica foi determinante para a decisão. “Nas primeiras semanas eu já percebi que Direito não era exatamente o que eu buscava, mas decidi continuar, porque o primeiro ano é mais formativo. Depois, quando comecei a estagiar, foi na prática que percebi que não me identificava”, conta.

Nota do Enem e mudança nas regras

Gustavo utilizou a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2023 para ingressar em Medicina por meio do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), após mudança nas regras do Ministério da Educação que permitiu o aproveitamento de notas de edições anteriores.

“Eu já sabia que minha nota era alta. Quando analisei as listas anteriores, vi que teria passado em posição elevada. Quando saiu a portaria permitindo usar notas anteriores, tive quase certeza de que conseguiria a vaga”, explica.

Mesmo confiante, ele admite que viveu momentos de apreensão. “Era uma regra nova, eu tinha receio de que pudesse ser revogada. Quando a aprovação foi confirmada, foi uma felicidade enorme e também um grande alívio.”

A mudança foi decisiva. “Se não fosse essa possibilidade, talvez eu terminasse Direito antes de tentar novamente. Foi totalmente determinante para que eu trocasse.”

Para ele, a principal lição é sobre amadurecimento. “Está tudo bem trocar. A gente não tem certeza absoluta no momento da escolha. É melhor mudar de rota do que permanecer em algo que não faz sentido. Não tenha medo de arriscar e, se for preciso, recalcular o caminho.”

Orgulho para a escola

Para a professora Viviane Forcellini, a conquista dos irmãos reforça a importância do planejamento e da orientação vocacional. Inserida dentro da universidade, a Escola Básica oferece imersões em cursos, itinerários formativos e testes vocacionais, que auxiliam no autoconhecimento dos estudantes.

“Não existe sorte, existe dedicação, estratégia e trabalho. Saber que fizemos parte dessa trajetória é motivo de grande orgulho”, conclui.

Para os irmãos Porcher, a aprovação dupla simboliza mais do que um resultado acadêmico: representa persistência, coragem para mudar e confiança no próprio potencial.

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;