21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

“Restaurar não é um capricho burocrático é educação, identidade e pertencimento”

Professora e Dra. Elcemina Lucia Balvedi Pagliosa pontua importância da restauração do Castelinho para a história de Erechim

teste
PROFE LUCIA.jpg
Por Carlos Silveira
Foto Arquivo pessoal

         Para a professora e doutora Elcemina Lucia Balvedi Pagliosa da URI Campus de Erechim e membro da Academia Erechinense de Letras, a decisão de destinar R$ 6,6 milhões para a restauração do Castelinho representa muito mais do que um mero investimento em obra física, é um compromisso respeitoso com a identidade, a história e a memória do povo erechinense.

 “O Castelinho, edificação construída entre 1912 e 1915, nascida como “Comissão de Terras” e tombada como Patrimônio Público Estadual pelo IPHAE, é um símbolo vivo das origens do município, local onde foi formada a base do planejamento urbano e onde os primeiros imigrantes iniciaram suas jornadas”.

          Para ela, reduzir esta iniciativa, este momento acalentado há anos, a um simples “gasto absurdo”, ou a defesa da substituição por um prédio de alvenaria, sem levar em conta o valor intrínseco de um patrimônio histórico, revela o desconhecimento do que significa preservar um monumento histórico e do papel que ele desempenha na formação da nossa comunidade.

          “Restaurar é muito diferente de apenas reformar. Restauração envolve técnicas especializadas, respeito às características originais, e a garantia de que as histórias inscritas nas paredes e estruturas sejam mantidas para as gerações futuras.

          Os críticos que sugerem transformar o espaço em prédio administrativo ou que presumem desvio de recursos ignoram que os financiadores, como o Ministério Público do Rio Grande do Sul — que doa e também pode fiscalizar a aplicação dos recursos — têm mecanismos de controle e transparência rigorosos, exatamente para assegurar a correta execução do projeto e sua aderência ao propósito de preservação cultural”.

          Lucia reforça que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE) “tomba” edificações como o Castelinho para protegê-las das pressões destrutivas da modernização sem critérios. Essa proteção não é um capricho burocrático – tem fundamentos legais.

          “Além disso, a preservação histórica promove educação, identidade e pertencimento. Obras como o Castelinho oferecem às crianças, famílias e visitantes a oportunidade de experimentar a história de forma tangível, muito além do que livros ou relatos podem oferecer, mesmo que preciosos”.  

          A importância desse tipo de preservação, garante ela que pode ser observada no exemplo de Antônio Prado, no Rio Grande do Sul, cidade que abriga o maior conjunto arquitetônico de casas de madeira tombadas pelo IPHAN. Ali, o investimento na preservação do patrimônio histórico consolidou identidade, fortaleceu o turismo cultural e demonstrou que conservar o passado é também promover desenvolvimento sustentável.

          “Reporto-me aqui, também, ao que escreveu a arquiteta, professora do Curso de Arquitetura da URI Erechim, Dra, Sara Roesler: “A restauração busca preservar a edificação, sua materialidade e técnica construtiva, como os encaixes e pinos feitos em madeira, assim como os lambrequins, que são peças de madeira recortadas, aplicadas aos beirais”.

          Como erechinense, acredito que uma cidade que respeita sua memória constrói um futuro mais consciente. O passado não é um peso... não é um entrave ao progresso - é o alicerce que sustenta todas as ações”. Assegura.

           E para que se possa melhor entender e qualificar esse momento, a professora pontua três sugestões:

 Ouvir a palavra dos arquitetos - mestres no assunto (e aqui lembrar do eminente e de saudosa memória, professor da UFRGS – arquiteto Albano Volkmer, que foi inquestionável ao se referir ao Castelinho, bem como seus discípulos).

 Informar, amplamente, através de múltiplos meios, os critérios que levaram o Ministério Público a essa destinação e as formas de contração e controle e buscar, nós cidadãos, já que este é um bem público, informações técnicas e não tendenciosas sobre o assunto. “Palavras carregam significados. Vivamos esse momento com alegria e responsabilidade”, finaliza.

Leia também

Publicidade

Publicidade

Blog dos Colunistas

;