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Opinião

Encarar a realidade

Estamos em ataque entre si. É premente, urgente, abaixar as armas que apontamos uns para os outros, e olhar para as questões que podem fazer a diferença na vida de cada um de nós. É preciso ampliar o debate, criar contrapontos, mudar o foco, para gradativamente reduzir a raiva e desprezo entre nós para pensar novos horizontes, mais equilibrados economicamente.

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Ígor Dalla Rosa Müller
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Jornal Bom Dia

A prática e cultura de ignorar e desprezar as necessidades dos brasileiros, pelas próprias leis, pelo sistema vigente, ainda existe. Muitas coisas mudaram, houve avanços, mas ainda há muito por se fazer. O brasileiro ainda é considerado um estorvo, não uma pessoa, mas um objeto a ser administrado, muitas vezes, preterido até morrer. Que cruel essa frase. Não. A realidade é muito pior. O brasileiro está largado à própria sorte se quiser sobreviver, mas não quando o assunto é pagar impostos, aí o governo está plenamente atento, solícito e eficiente.

Repito, agora, o que já escrevi anos atrás, é quase impossível romper com esta cultura, há muito tempo deixei de acreditar nisso, porque há um modelo consumado em que a nós brasileiros insistimos em manter, reeditá-lo, e colocar em funcionamento. A não ser é claro que a sociedade decida mudar o que está aí entendendo que assim é extremamente desigual e improdutivo, em todos os níveis e formas imagináveis.

Contudo, não há evidências que algo neste sentido esteja surgindo no horizonte social, político-econômico, para dar uma guinada nesta barca que é uma verdadeira ode ao desperdício, verdadeiro triturador de carne humana, para a grande maioria da população. Falo aqui sem nenhum objetivo político ideológico partidário. O governo federal entrega, fez melhorias, mas tem limite pré-definido para até onde pode ir.

A única política pública, que não tem restrições, controle, não sofre questionamentos, tem infinitas possibilidades, são os gastos, recursos, queimados com os juros da dívida pública, que só multiplicam o problema, geram mais dívida e arrocho para todos os setores do país, indivíduo e empresas.

O brasileiro é educado diariamente para odiar outros brasileiros, isso está funcionando, é impressionante, essa é a cultura atual que verte das redes sociais e muitos brasileiros compraram sem nenhuma dúvida. Muitas pessoas acreditam que estão falando algo espetacular quando de fato só estão vomitando aquilo que a cartilha permite dizer. Isso serve para ideologias de esquerda, direita ou centro.

Além disso, esta mesma cultura ensina as pessoas a abrir mão do melhor Brasil, aliás, nunca tiveram acesso a ele.  Não adianta falar que o Brasil é um país repleto de riquezas naturais, econômicas, culturais, porque o dia a dia do brasileiro está muito longe disso. A moral brasileira prega que é necessário virar as costas pra si mesmo, desconsiderar as virtudes, essência, força, para comprar o enlatado de fora, a um preço muito alto: vendendo a própria dignidade.

Repito, o problema está aqui, é gestado nas entranhas do país, é local, e legitimado por todos nós, pelas leis e sucessivos governos brasileiros. Por onde recomeçar? Encarando de uma vez por todas a nossa própria realidade, mazelas, problemas, de frente, de maneira nua e crua, a vida como realmente ela é aqui e o que é preciso para melhorá-la para todos. O Brasil está inacabado, os municípios estão em construção, há muito que se fazer ainda para que o conjunto da sociedade seja contemplado. Mas é necessário parar de se enganar.

É preciso transpor a barreira político-ideológica, por mais ideológico que isso seja, olhando para o que é o melhor para as pessoas, empresas, famílias, para o país, de modo geral. A política e nós brasileiros precisamos nos reinventar, transpor esta barreira político-ideológica, e pelo que já vimos até aqui será, somente, pela iniciativa da sociedade civil, nossa.

Estamos em ataque entre si. É premente, urgente, abaixar as armas que apontamos uns para os outros, e olhar para as questões que podem fazer a diferença na vida de cada um de nós. É preciso ampliar o debate, criar contrapontos, mudar o foco, para gradativamente reduzir a raiva e desprezo entre nós para pensar novos horizontes, mais equilibrados economicamente.  

O que está acontecendo com as relações familiares, amizades, profissionais, é algo impressionante. Há muito ódio gratuito e sem fundamento. E por quê?  Por nada, repito, nada. Se refletir por um segundo o resultado será nada. Vivemos uma maquinação que não está conduzindo as pessoas nem a sociedade para algo melhor, um país mais desenvolvido, produtivo, equilibrado e com pessoas mais felizes. 

 

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