Outro dia, ao abrir os olhos para mais um dia, fui tomado pela dádiva da rotina: era hora de preparar o café da manhã. Mas, ao chegar na cozinha, fui surpreendido por uma cena: alguém havia roubado o café. Não era um ladrão comum. O pão estava intacto, o queijo e o presunto fechados, as frutas estavam todas na cesta. O que faltava era o essencial: o café.
Incrédulo, comecei uma busca pela casa. Revirei cada armário, olhei nas gavetas, examinei até os cantos onde sabia que o café jamais estaria. Nada. Nem um grão. Foi então que ouvi uma voz suave ecoando pelo corredor: “Você esqueceu de comprar”. Era minha consciência, que, ao me ver tão perdido, resolveu intervir. Ela tinha razão, como sempre. Havia me esquecido de comprar o café. Era um pequeno descuido, mas para aquele momento, parecia um desastre.
Decidi que precisava resolver aquilo de uma vez. Me dirigi ao mercado com a missão de salvar o café da manhã. No entanto, ao chegar lá, mais uma surpresa me aguardava: as prateleiras estavam vazias. Perguntei ao atendente, que com um olhar cansado me explicou que o café estava em falta. Um problema com o fornecedor, aparentemente.
Voltei para casa sem entender direito o que estava acontecendo. Ao entrar, encontrei minha mãe calmamente preparando uma chaleira de chá. “Não é o mesmo”, pensei. Ela apenas sorriu e disse: “Às vezes, o melhor café é aquele que não está na xícara”. Depois, sentou-se ao meu lado e começou a contar uma história que me pegou de surpresa.
“Quando eu era criança, sua avó preparava algo que chamávamos de ‘café de cevada’. Não era o café de verdade, mas era o nosso café, e isso era o suficiente. Tinha um sabor especial, e o cheiro invadia a casa toda”. Eu, curioso, perguntei: “Cevada? Mas isso não é café de verdade”. Ela riu e me disse: “Sim, mas era a nossa tradição, e, para nós, aquilo bastava”. Ao ouvir isso, algo começou a fazer sentido para mim.
Percebi, naquele momento, que o verdadeiro sentido do café da manhã vai muito além da própria bebida. O valor de tudo está nas histórias, nas lembranças e, acima de tudo, na companhia com quem compartilhamos esses pequenos momentos. Aquele vazio, deixado pela ausência do café, foi preenchido por algo maior. Afinal, nem sempre precisamos ter o que desejamos para apreciar aquilo que já temos.
Assim, passei a manhã bebendo chá e passando tempo com histórias. Aprendi que o verdadeiro café da manhã não é exatamente o que está na mesa, mas o que se compartilha. De alguma forma, a falta do café fez com que o dia se tornasse ainda melhor. Às vezes, o que está ausente é o que realmente nos ensina a admirar o passado e valorizar o presente.
Agora quero saber de você, já encontrou seu café da manhã hoje?