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Política

R$ 3,2 bilhões em quatro anos: Alto Uruguai recebe migalhas e aplaude

Esses valores bilionários são quanto os deputados federais (31) e senadores (3) têm para serem distribuídos para os municípios gaúchos. Sem representantes em Brasília a região ‘empobrece’

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Alguns nomes começam a ser lançados. Por ora, três se colocaram para concorrer a deputado federal: A
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

A falta de representatividade na Câmara dos Deputados em Brasília, custa muito caro para o desenvolvimento do Alto Uruguai. Acostumados a sermos coadjuvantes no processo eleitoral, especialistas em sermos cabos eleitorais, assistimos pelo retrovisor, como os recursos estão indo para outras regiões que tem representatividade.  

Quase caindo do mapa gaúcho

Essa lógica, que nos coloca de joelhos e quase caindo do mapa gaúcho, já que ‘aplaudimos’ migalhas, pode ser mensurada e entendida em números. No ano de 2021, os 31 deputados gaúchos e os três senadores têm direito em emendas individuais um montante de R$ 16,3 milhões cada, totalizando mais de R$ 550 milhões.

R$ 65 milhões por parlamentar

Isso apenas em 2021 (todo ano aumentam um pouco esses valores). Usando esse número como parâmetro para um mandato de 4 anos, chega-se ao valor de mais de R$ 2,2 bilhões (em torno de R$ 65 milhões cada um). Se apenas 2% (o que é nossa economia dentro do PIB estadual), teríamos um aporte regional, por ano, de R$ 11 milhões (R$ 44 milhões por mandato de quatro anos). E jamais chegamos perto destes valores.

Os números e as migalhas

E além das emendas individuais, existem as emendas de bancadas. A bancada gaúcha composta por 31 deputados federais e 3 senadores, tem a seu dispor mais R$ 247,2 milhões para 2021, quase R$ 1 bilhão em quatro anos. Somando-se as emendas individuais e as emendas de bancada os nossos representantes tem em suas mãos quase R$ 3,2 bilhões (em quatro anos), para indicar aos 497 municípios gaúchos. Isso daria mais uns R$ 5 milhões para o Alto Uruguai (na mesma lógica de representarmos 2% do PIB gaúcho).

Desnudando a narrativa

Esses números desnudam qualquer narrativa que deputados federais de fora da região ajudam como deveriam os 32 municípios. São casos pontuais de parlamentares realmente comprometidos. Os demais utilizam os partidos e aqueles que detém mandatos para ampliar seu curral eleitoral. O preço da emenda é o apoio político.

Discursos, visitas e fotografias

E quanto veio para o Alto Uruguai?  Esse é um estudo mais detalhado por município. A pesquisa é mais completa pois tem emendas empenhadas e emendas pagas, sem contar as promessas, que muitas vezes ficam restritas aos discursos de visitas esporádicas à região ou quando prefeitos e vereadores vão para Brasília, e eternizam o momento em fotografias, que serão usadas em campanhas futuras.

Os ‘mendigos de paletó’

Os eleitos despejam recursos em suas regiões de origem. E não estão errados. Deixando as ‘merrecas’ para a região, que os venera como sendo deuses. Assumimos a cada valor que chega o papel de eternos coadjuvantes no processo eleitoral. E repito o que já escrevi pela primeira vez em 2018: “somos mendigos de paletó com o pires na mão, de pires na mão de gabinete em gabinete em Brasília”.

Quem são os culpados?

Mas quem são os culpados desta letargia que se encontra o Alto Uruguai, no que se refere às emendas parlamentares (individuais ou de bancada). Primeiramente e sem medo de errar, os partidos políticos e seus representantes.

O preço da emenda

Usam aquela política do preço da emenda em troca de apoio eleitoral. Um pensamento que coloca o desenvolvimento regional em segundo plano (e quase sempre é assim, e estou aberto para discutir essa prática publicamente com qualquer um que pensa diferente, para expor outro ponto de vista. Mas venham com números).

Combatendo o ‘inimigo político’

Os partidos com seus representantes que detém mandatos, saem às ruas fazerem campanha para nomes de fora da região. E quando lançam nomes que poderiam ter viabilidade, outros partidos fazem o mesmo, para evitar que o ‘inimigo político’ logre êxito, tipo “posso não ganhar, mas meu adversário também não”. Primeiro sempre o partido, e jamais a região.

“Modus operandi”

E como mudar esse “modus operandi”, que vem nos espremendo a cada mandato, nos colocando eternamente como espectadores (coadjuvantes) e jamais como jogadores (protagonistas)? As entidades representativas e a população têm que ignorar candidaturas goela abaixo, impostas por partidos políticos. E buscar nomes regionais que possam ser nossos representantes, deixando as paixões e cores partidárias fora desse processo. Criar um sentimento, fazer um levante em prol da região.

A semente foi plantada

Nas eleições de 2018, foi plantada uma semente do voto regional em candidatos daqui. Não foi o suficiente, mas é necessário ampliar esse sentimento. O mais votado daqui, foi o atual prefeito de Erechim, Paulo Alfredo Polis (MDB), que ficou na segunda suplência para deputado federal.

O negócio é inviabilizar quem pode chegar

Quando ele lançou o nome, outros partidos (olha como funciona na prática o ‘modus operandi’), correram lançar nomes, para lhe diminuir as chances, já que era o nome líder das pesquisas na época. O negócio é inviabilizar quem pode chegar.

A semente precisa ser regada

Essa semente, precisa ser regada, e ela pode dar bons frutos. Mas para isso é necessário mudar o ‘modus operandi’. Pensar a região e não no próprio umbigo, caso contrário, encolheremos mais um pouco, permaneceremos mendigando parcos recursos e aplaudindo ‘emendinhas’.

Três nomes por enquanto

Alguns nomes começam a ser lançados. Por ora, três se colocaram para concorrer a deputado federal: Ale Dal Zotto (PSB), Jackson Arpini (PSDB) e Marcos Lando (PL). Outro nome, que ainda não decidiu se concorrerá, é do vereador Anaximandro Zambonatto Pezzin (Republicanos).

Quem são os pré-candidatos

O vereador Ale Dal Zotto está em seu terceiro mandato (dois em Erechim e outro em Campinas do Sul). Aposta na candidatura de Beto Albuquerque para governador para alavancar sua candidatura. Já concorreu a deputado estadual

Jackson Arpini (PSDB) se filiou recentemente aos tucanos, quando da vinda do govenador Eduardo Leite para Erechim. Vem se ensaiando há anos para entrar na política. No dia 6 de novembro, em evento regional deve ser o coordenador no Alto Uruguai do partido e tem a possibilidade de lançar sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

Marcos Lando (PL) tem quatro mandatos como vereador, foi vice-prefeito de Erechim, concorreu a suplente de senador e também a prefeito. Trocou recentemente de partido, deixando o PDT e ingressando no PL. Fará uma dobradinha com o deputado estadual Paparico Bacchi.

Contra as emendas e favorável ao pacto federativo

Para fechar esta análise, onde foram apresentados os números, para mostrar nossa situação de ‘quase abandono’, gostaria de deixar claro que sou contra as emendas parlamentares, pois tiram a isonomia da disputa eleitoral. Defendo que o percentual do bolo tributário (pacto federativo) tenha um acréscimo no que cabe aos municípios. Desta forma, com mais recursos, conseguem atender a demanda da população, não sendo necessário a troca da emenda (compra de voto institucionalizada), por troca de apoio político.

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