No programa Pente Fino Entrevista da TV Bom Dia, na noite de ontem (19), o senador gaúcho Lasier Martins (Podemos), falou sobre a CPI da Covid, prisão em segunda instância, foro privilegiado, papel do STF, nova redação da Lei da Improbidade, entre outros assuntos palpitantes, que permeiam as discussões dos brasileiros que clamam por um país sério, em todas duas esferas: “não é mais uma pecha, é uma realidade. O Brasil é um dos países mais corruptos do mundo”, salienta.
“Essa comissão é um espancamento verbal”
Sobre a CPI da Covid, Lasier Martins afirmou ser “um grande circo tendencioso”. Reconhece os erros do presidente Jair Bolsonaro, como a demora na compra de vacinas e promover aglomerações, mas não poupa os membros da CPI, principalmente o senador Renan Calheiros, que segundo ele, não é probo para a função pelos inúmeros processos que responde. Conta que foi convidado para ser membro da CPI, mas não aceitou em função da presença de Renan Calheiros: “A CPI virou um espancamento verbal. Me preocupa a parcialidade de alguns integrantes. É uma comissão contraditória”, relata.
“Se defende mais criminosos que a sociedade no Brasil”
Para o senador, a liberação do ex-presidente Lula da cadeia, abre um precedente grave para que outros políticos presos, possam deixar a prisão: “Se defende mais criminosos que a sociedade. Abriu-se uma brecha no STF para que todos os condenados da Lava-Jato busquem os mesmos benefícios”.
“Continuamos vivendo com a corrupção e os vícios da política”
Na quarta-feira (16), a Câmara dos Deputados aprovou proposta que revisa a Lei de Improbidade Administrativa. O novo texto é mais brando que aquele em vigor. A principal mudança é a punição apenas para agentes públicos que agirem com dolo (com intenção de lesar a administração pública). Agora irá para o Senado, onde será discutido, mas sofre resistência, principalmente por Lasier: “Vou trabalhar contra, lutar por sua não aprovação. Continuamos convivendo com a corrupção e com os velhos vícios da política. E essa flexibilização veio em benefício daqueles que malversam o erário e tiram proveito político indevido do que é público. Farei o que for possível para não ir adiante”, pontua Lasier.
“Temos centenas de estatais que dão prejuízo e se vende o que dá lucro”
Esta semana também foi aprovado no Senado, a Medida Provisória sobre a privatização da Eletrobras, em meio a uma crise enérgica que o país vive. Lasier votou contra, pois segundo ele, o projeto, no decorrer de sua discussão, “vários jabutis” foram colocados no texto original, virando uma colcha de retalhos que o descaracterizou e que irá beneficiar muita gente, principalmente no Rio de Janeiro: “temos centenas de estatais que dão prejuízo e se vende o que dá lucro”.
“Prisão em 2ª instância é uma maneira de combater a impunidade”
Um dos projetos de autoria do senador Lasier Martins, que aguarda para ser colocado na pauta do plenário e já aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é a prisão após condenação em segunda instância: “é necessária no país como medida de combate à impunidade”.
“Emenda parlamentar não é favor, é obrigação”
O senador pretende visitar Erechim em agosto, caso a pandemia regrida pois segundo ele desde o ano passado está impossibilitado de fazer roteiros pelo interior. Repassa que já encaminhou em torno de R$ 1,5 milhão para Erechim, principalmente para a área de saúde. Muito diferente de outros políticos, Lasier finaliza afirmando que “emenda parlamentar não é favor, é obrigação”.