A infiltração da água no solo e o quanto dessa água fica armazenada na terra à disposição das plantas foram algumas das pesquisas desenvolvidas em oito municípios (Ipiranga do Sul, Erebango, Estação, Sertão, Getúlio Vargas, Floriano Peixoto, Jacutinga e Quatro Irmãos) da região do Sicredi Estação no Projeto Solos e Produtividade, realizado pela Emater e Sicredi, com apoio da Embrapa Trigo e UPF, finalizado no último dia 6. Foram 20 testes realizados três vezes em cada propriedade que concluíram a presença da degradação do solo na região, apontando a necessidade de algumas medidas para viabilizar a produção regional.
O governo do Estado através da Secretaria da Agricultura identificou a questão da conservação do solo e da água como um problema a ser enfrentado. Dessa forma a Emater se inseriu no programa e desenvolve suas ações. Para o supervisor regional da Emater e articulador do projeto, Paulo Silva, a pesquisa realizada nos oito municípios serve como base para a região, pois as práticas são as mesmas, inclusive no Estado. Algumas áreas de topografia mais dobrada, solos mais jovens, mais pedregosidade e práticas mais conservacionista deverão ser discutidos para esse ambiente.
Conforme o articulador do projeto, foram realizadas avaliações da densidade do solo e fertilidade, nos níveis nos níveis 0 a 5 cm, 5 a 10 cm, 10 a 15 cm, 15 a 20 cm de profundidade. “O plantio direto impôs uma condição muito diferente de fertilidade e densidade dentro do perfil do solo. Isso interfere no desenvolvimento das raízes e na penetração de água no solo. A água que ficará disponível para a planta abastecer durante seu ciclo evolutivo. Da mesma forma, através de equipamentos, medimos a velocidade de infiltração de água no solo, isso significa que se chove 30, 40mm/h, quanto dessa chuva fica armazenada no solo à disposição das plantas”, comenta Silva.
Diante das pesquisas ele salienta as conclusões chegadas. Entre elas a identificação da velocidade que estabiliza em tono de 2 a 4 mm/h. Algumas lavouras raramente estabilizam em torno de 70mm/h as outra todas abaixo de 10mm/h. “Isso nos preocupa, porque quando os agricultores pensam que uma chuva de 40mm foi boa, pouco dessa chuva infiltrou no solo ficando disponível para a planta”, acrescenta.
Essa perda de água superficial carrega consigo a melhor camada de solo e nutrientes solúveis. Esse é um problema que deve ser corrigido com o tempo e que, identificado, permite que sejam tomadas algumas decisões, como é importante fazer terraceamento; subsolagem; construção de um perfil do solo homogêneo na camada de 0 a 20cm para que as raízes possam se desenvolver e tenham ambiente maior de armazenamento de água. Diante dessas mudanças será possível ultrapassar algumas barreiras de produtividade na região segundo Silva. “Com um mouco mais de manejo podemos gerar riqueza e renda para os produtores”, salienta.
Renato Cristiano Mores, agrônomo da Emater de Getúlio Vargas, responsável pela coleta de amostras explica que o objetivo do projeto foi fazer um trabalho de longo prazo. “Criamos uma meta de no mínimo três anos, já que o solo é o bem maior do produtor”, diz.
“Fizemos a análise química, física, densidade, porosidade e granulométrica a cada 5cm do solo. Os resultados permitem avaliar a fertilidade do solo e sua compactação, o qual resulta na produção. Bem como verificar a sanidade do solo, através da velocidade de infiltração básica”, explica.
No dia 6 de junho o trabalho foi apresentado aos produtores. A maior parte do solo está compactado de maneira média ou grande. O segundo ponto é junto com produtor resolver estes problemas. E, para o futuro, fazer novas análises. O objetivo final é segurar a água onde ela caia evitando com que ela escorra.
Próximo passo
A partir de agora, os resultados da pesquisa servem para agricultores e técnicos discutir o que devem fazer para resolver o problema de degradação do solo. “Com o trabalho já temos um norte definido, algumas práticas que deverão ser implementadas no momento certo; para melhorar a fertilidade solo no sentido vertical e melhorar a porosidade do solo através de processos mecânicos, mas principalmente, de sistemas radiculares que depois se decompõem e permitem essa microporosidade do solo”, diz Silva.
Entre as práticas consideradas extremamente necessárias e estão a cobertura permanente do solo, ou seja, colher e semear no mesmo instante; e manter uma rotação de culturas.