No campo, o trabalho de silagem do milho para o rebanho bovino é acelerado. Por meio de uma parceria entre produtores de leite e prefeituras, o serviço tem ganhado agilidade para garantir, no final, qualidade do produto que será entregue para a indústria leiteira, além de manter a renda das famílias.
Mas a queda no preço do litro de leite somada à valorização do grão do milho utilizado na silagem, tem feito muitos produtores repensarem se devem seguir no setor leiteiro. Por isso, além do apoio com máquinas, municípios como Centenário estão desenvolvendo projetos de incentivo à bacia leiteira. “O auxílio à silagem sempre foi dado no município, mas temos conversado com as famílias para criar maneiras de valorização do trabalho. Além de autoridades, técnicos e representantes do setor industrial na busca de um preço justo para os produtores”, destaca o prefeito de Centenário, Genoir Marcos FLorek.
Produtores insatisfeitos
De acordo com um levantamento feito pela Emater, nos últimos 12 meses, a queda do valor do litro do leite foi de 42,6%, a maior registrada pelo setor nos últimos dez anos. O produtor Sérgio Antônio Spitza, explica que talvez este seja seu último ano na área. “Minha família está neste ramo a quatro décadas, mas não está compensando mais trabalhar com o leite, pois o valor do milho deve subir e transformá-lo em silagem para manter o rebanho é aumentar o serviço e perder dinheiro”, explica.
Impactos no ICMS
Além do setor gerar emprego e renda nos pequenos municípios como Centenário. A produção leiteira também tem uma porcentagem importante no retorno do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). “O trabalho dos produtores de leite é importante para economia dos municípios que tem base na agricultura. Por isso, estamos acompanhando com atenção este momento de aumento do valor do grão do milho e queda do litro do leite, para criar alternativas que indiquem recuperação do setor leiteiro e diminuição de prejuízos aos produtores”, comenta Florek.
Produção leiteira no RS
De acordo com dados da Emater, o Rio Grande do Sul produz mais de 4,5 bilhões de litros de leite por ano, o que significa 13% da produção nacional. O rebanho leiteiro gaúcho é composto por 1,3 milhão de vacas. Em todo o estado são 65.202 produtores de leite vinculados às indústrias, distribuídos em 465 municípios, representando 93,6% do total. Outros 11.339 produtores obtêm renda da atividade através da venda de leite cru ou de derivados lácteos de fabricação caseira diretamente aos consumidores, totalizando 76.541 produtores gaúchos que possuem no leite uma atividade econômica.