Autoridades de Erechim reforçam a importância do projeto, recursos e condições oferecidas aos produtores
Na quarta-feira (4), foi realizado no Palácio do Planalto o lançamento do Plano Safra 2016/2017. A cerimônia foi dirigida pela presidente Dilma Rousseff e a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu e contou com a presença de várias outras autoridades.
O projeto prevê a destinação de R$ 202,88 bilhões de crédito aos produtores rurais brasileiros, valor recorde que representa aumento de 8% em relação à safra anterior (R$ 187,7 bilhões). Um dos destaques é o crescimento de 20% dos recursos para custeio e comercialização a juros controlados. A modalidade contará com R$ 115,8 bilhões.
As informações repassadas pelas lideranças do governo federal refletiram em expectativa e otimismo na região de Erechim.
O secretário municipal de Agricultura de Erechim, Eloir José Griseli, destaca que o plano safra é importante, pois expõem as regras do crédito agrícola e da safra de modo geral. "Ano após ano observamos as melhorias e a ampliação do volume de recursos. É uma garantia para os produtores, considerando que não tem faltado crédito e os juros são subsidiados e fixos, fatores que não comprometem o planejamento dos produtores e fornecem tranquilidade", pontua.
Eloir cita que a própria comercialização dos produtos está numa fase muito boa e há garantia de preços. Diante disso, segundo ele, o agricultor começa a investir mais na propriedade. "Percebemos isso em nossa região, além do fato de a maioria ter obtido resultados muito satisfatórios na colheita. É uma avaliação positiva e precisamos continuar com essa política agrícola", salienta, dizendo ainda, que um dos fatores que levam a soja a ter um valor melhor na média, é o programa de biodiesel.
Do mesmo modo, o presidente do Sutraf Regional, Douglas Censi, reitera que o plano safra representa uma evolução histórica, uma mudança significativa que mostra principalmente a importância da agricultura familiar, o combate à fome, a produção de alimentos. "É um programa estruturado que neste ano possui alguns enfoques, sendo um deles o Plano nacional de juventude e sucessão rural que tem como principal objetivo o fomento da produção de alimentos saudáveis, a agroecologia. Há também uma redução de juros bem significativa. Não esperávamos ter esse avanço e o desafio agora é implementar. Há um temos em relação à continuidade do programa mas também há a consolidação", acrescenta.
Douglas enfatiza que o seguro agrícola é outra questão importante, além do financiamento.
Em se tratando de desafios no âmbito da agricultura familiar, o presidente do Sutraf reforça que entre os principais está a garantia das condições de permanência do jovem na propriedade, a produção de alimentos para o Brasil, a luta contra o machismo e mais valorização da mulher.
Já o presidente do Sindicato Rural, João Picoli, ponderou que o plano safra representa o investimento de bastante dinheiro, porém, há insegurança. "Os recursos poderão ser utilizados para custeio, comercialização, porém, com juros elevados e sem seguro. O pequeno produtor será beneficiado, no entanto, para o médio e grande teve elevação nas taxas, isso não consideramos justo", disse Picoli.
Ponto de vista do agricultor
O agricultor Clairton Isidoro Balen reside no quilômetro 14 e salienta que já utilizou vários programas do governo, tais como Pronaf - Safra e Mais Alimentos, através do qual na compra de um trator. "O agricultor não pode se queixar no que se refere aos recursos para investir na propriedade, pois são ofertados juros baixos e condições facilitadas", ressaltou.
Balen possui duas agroindústrias, sendo uma focada na produção de queijos e outra na panificação. A família também atua nos segmentos de lavoura e pastagens.
Sobre o plano
Os juros foram ajustados sem comprometer a capacidade de pagamento do produtor, com taxas que variam de 8,5% a 12,75% ao ano.
Os agricultores de médio porte tiveram prioridade. Os recursos de custeio para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cresceram 15,4% e alcançaram R$ 15,7 bilhões, com juros anuais de 8,5%.
Inovações
O plano traz inovações em comparação aos anteriores. Na pecuária de corte, a aquisição de animais para recria e engorda deixa de ser considerada investimento e passa para a modalidade de custeio. A mudança vai proporcionar ao produtor mais recursos e agilidade na contratação do crédito.
O Programa de Modernização à Irrigação (Moderinfra) prevê incentivos à aquisição de painéis solares e caldeiras para geração de energia autônoma em cultivos irrigados.
Outra novidade é que o Ministério da Agricultura negociou com os bancos a emissão de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) para os produtores a juros controlados.
Nos planos anteriores, não havia essa opção. Os juros eram livres e, portanto, menos atrativos ao setor produtivo. Além disso, os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), emitidos por empresas que desejam atrair investidores, poderão ser corrigidos em moeda estrangeira desde que lastreados na mesma condição.
O Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017 entra em vigor no dia primeiro de julho deste ano e se estende até 30 de junho de 2017.
Agricultura familiar terá R$ 30 bilhões em crédito
Os agricultores familiares contarão com R$ 30 bilhões para o financiamento de projetos individuais ou coletivos destinados à produção de alimentos básicos. Haverá crédito para os agricultores e manutenção de juros abaixo da inflação. Os agricultores que produzem alimentos com impacto direto nos índices da inflação terão juros reduzidos para 2,5% ao ano. A taxa atual é 5,5%.
Segundo o ministério, a agricultura familiar é responsável pela produção de cerca de 50% dos produtos da cesta básica, como arroz, feijão, batata, trigo, café e leite. As operações de custeio, que antes eram limitadas a R$ 100 mil, poderão chegar a R$ 250 mil.
Deputado destaca investimento
Para o deputado estadual Altemir Tortelli (PT) o Plano Safra reafirma o compromisso do governo federal com a agricultura familiar, aumentando o volume de recursos (recorde de R$ 30 bilhões) e redução de juros. "O governo federal ratifica seu compromisso com a produção de alimentos que integram a cesta básica, com atenção especial para aqueles produzidos ecologicamente, maior proteção aos agricultores familiares com expansão do programa Garantia-Safra e aumento da cobertura do Seguro da Agricultura Familiar e investimentos em práticas sustentáveis de manejo do solo e da água, produção de energia renovável e armazenagem", afirmou o deputado.