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Política

“Não existe bala de prata. Temos que dar um basta no ciclo de aumento de despesas”

Em Erechim, candidato ao governo gaúcho, Mateus Bandeira, fala para empresários no Polo de Cultura

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Mateus Bandeira: “Eu não acredito e não me deixou abater por pesquisas. A história mostra que elas e
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Mateus Bandeira (Partido Novo) esteve em Erechim no início da noite de terça-feira e apresentou seu plano de governo para empresários de várias entidades no Polo de Cultura.

Para Bandeira, o maior problema do Rio Grande do Sul é a crise fiscal que se arrasta por anos: “hoje o que temos é fruto da irresponsabilidade fiscal, que por décadas os governos gastaram mais do que arrecadaram”. Defende a privatização das estatais de maneira ordenada para que o Estado volte a crescer e que o melhor projeto social é a geração de empregos.

O presidente da Accie, Fábio Vendruscolo, representando várias entidades leu e entregou para Mateus Bandeira a pauta de reivindicações. Esse mesmo ofício foi entregue para outros candidatos que estiveram em Erechim (Jairo Jorge, José Ivo Sartori e Eduardo Leite). Essas demandas do Alto Uruguai são assinadas   pela Accie, CDL Erechim, Sindilojas Alto Uruguai Gaúcho, Sindivest AU, Unindústria, Sindicato Rural e a Câmara de Vereadores.

A seguir, os principais trechos da entrevista com o candidato.

Irresponsabilidade fiscal

“A situação que a gente vive no Brasil hoje e no RS em particular é fruto da irresponsabilidade fiscal, simples assim. Governos que ao longo de décadas gastaram mais que arrecadaram, mais que podiam e que deviam”

Se gasta mais que arrecada

“Desde 1971 os governos gastam mais que a soma da arrecadação de impostos. E como financiaram isso? Primeiro com dívida emitida pelo governo com títulos do Tesouro do Estado, nas décadas de 70 e 80. Depois com imposto inflacionário e vendas de ativos como a CRT e parte da CEEE para financiar despesa corrente também e pouco em investimentos”.

Medidas heterodoxas

“Depois o governo começou a adotar medidas heterodoxas com saques sobre o caixa único e depósitos judiciais. Acumulou uma dívida monstruosa, cerca de R$ 67 bilhões atualmente com a União. Foi renegociada há mais de 20 anos atrás em 1997 e acumulou os passivos como precatórios, dívidas com os depósitos judiciais, com fornecedores que somadas chega a quase R$ 100 bilhões”.

Liminar judicial

“Hoje só consegue sobreviver e pagar as contas com atraso, como o salário dos servidores, porque existe uma liminar concedida numa ação judicial que dá direito ao Estado de não pagar para a União a dívida. Isso dá em torno de R$ 3 bilhões por ano, senão o caos estaria instalado”.

O déficit

“Projeções com dados oficiais do governo, caso tenha que voltar a pagar a dívida, e caso as alíquotas majoradas do ICMS não sejam renovadas agora no fim do ano, o déficit deve chegar a R$ 6 bilhões nos próximos quatro anos”. 

Elevação de impostos temporários

“Eu sempre fui contrário a elevação de impostos, em especial a temporária, que dá uma falsa sensação de normalidade, a despesa continua crescendo, e depois se retira a receita num início de governo. Isso desorganiza toda a possibilidade de qualquer iniciativa num novo governo”.

Redução imediata e gradual

“Tenho dito que o mais correto, caso a Assembleia Legislativa opte por renovar o aumento do ICMS se faça dentro desse governo, nesse ano, com compromisso na lei de redução imediata e gradual. De forma que o próximo governo seja ele quem for tenha, pelo menos nesse primeiro ano, essa receita garantida. E que no segundo ano seja diminuída, novamente reduzida no terceiro ano, até que se volte a alíquota normal”.

As culpas

“E a responsabilidade é do Executivo que teve a iniciativa e do Legislativo que aprovou. E o legislativo também é responsável por todas as ações do governo passado que acabou gerando esta bagunça das finanças públicas. A culpa também é do governo atual porque iniciou concedendo reajustes para servidores que mais ganham, mas fundamentalmente do anterior. E digo do anterior, pois antes deles as contas estavam rigorosamente em ordem em 2010”.

Descumprimento da LRF

“E digo isso com toda a tranquilidade e orgulho de alguém que participou do governo e ajudou a colocar as contas em ordem. De 2007 a 2009 estava à frente do Tesouro Nacional que é guardião das contas públicas. E depois como secretário de Planejamento e Gestão. Entregamos em dia e a partir daquele momento desorganizou tudo. Então o Legislativo todo é culpado pois os que são oposição agora eram governo antes. E de todos os poderes, inclusive o Judiciário e o Ministério Público, pois sempre fizeram vista grossa para o descumprimento dos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal”.

Ciclo de aumento de despesas

“Não existe bala de prata. É muito simples E não tem mágica. Temos que dar um basta, interromper esse ciclo de aumento de despesas. E como se faz isso? Congelando o orçamento. Não é razoável quando o governo não consegue pagar suas contas discutir reajuste de servidores. Tem que cortar na carne senão quebra”

Acordo com a União

“Temos que trabalhar pelo regime de recuperação fiscal. É o que temos hoje por força de liminar. Isso tem que ser feito via acordo com a União da suspensão por um tempo. Isso nos dá fôlego para aprovar outras reformas”. 

As privatizações

A primeira medida são as privatizações. Fundamental, pois sem elas não tem regime de recuperação fiscal. Todas as estatais, mas de maneira ordenada. O Banrisul seria o último da fila para ter tempo de melhorar a eficiência do banco. Fazer voltar a dar resultados e o lucro é medido pelo retorno do patrimônio que se tem. Na época que presidi o banco era 20%, hoje é em torno de 10% do patrimônio. O Estado pode pensar o melhor modelo para a privatização do banco. Por exemplo, ele pode vender o controle e continuar com 49%, fazendo jus aos lucros futuros e dividendos que por sua vez poderão ser bem maiores que hoje. E assim livre das amarras do Estado e da interferência política que tem em todas as estatais”.

O foco e as reformas

“O foco e a energia do governo têm que ser voltado para a segurança pública onde tem falhado e outras áreas. E com isso termos tempo para fazer outras reformas, principalmente aquelas que melhoram o ambiente de negócios e que recupere a nossa atratividade para fazer a máquina rodar de novo. Com isso a economia vai crescer, automaticamente os empregos e a renda dos gaúchos”.

Menos intervenção do Estado

“O Novo é o partido mais social do Brasil na medida que ele defende menos intervenção do Estado, com menos peso sobre os ombros de quem produz e gera riqueza. Defende mais livre iniciativa para quem pretende empreender e investir. Desta forma se está contribuindo para o melhor programa social que existe que é o emprego”.

Não acredita em pesquisas

“Eu não acredito e não me deixo abater por pesquisas. A história mostra que elas estavam erradas. Em 2006 Germano Rigotto na boca de urna era o primeiro colocado e no mesmo dia não foi para o segundo turno. Em 2014 acontece algo parecido com a Ana Amélia em duas semanas caiu de primeira para terceira colocação”.

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